O currículo deixou de ser um documento extenso, com páginas de informações sobre toda a trajetória profissional, e passou a exigir cada vez mais objetividade, organização e alinhamento com a vaga pretendida. Para quem está em busca de emprego, entender essa mudança pode fazer diferença já no primeiro contato com uma empresa.Segundo Ana Luiza Melo, psicóloga com 13 anos de atuação na área de Recursos Humanos e experiência em recrutamento e seleção, o currículo atualmente precisa apresentar de forma rápida as informações mais relevantes para a oportunidade.“Antes ele era visto como um mero documento em que a pessoa relatava de forma categórica as suas experiências”, explica. Hoje, segundo a especialista, o recrutador tende a valorizar um documento mais enxuto, que destaque as áreas de experiência e os conhecimentos relacionados à função.Isso significa que um currículo de uma página pode ser suficiente, desde que consiga apresentar de maneira clara quem é o profissional, quais são suas experiências e quais conhecimentos podem ser aproveitados na vaga.Menos informação, mais objetividadeUm dos principais erros apontados pela especialista é justamente o excesso de informações. Currículos muito longos e cheios de detalhes podem dificultar a identificação das experiências que realmente interessam ao recrutador.A recomendação é selecionar as experiências de acordo com a oportunidade. Uma pessoa que está se candidatando a uma vaga na área contábil, por exemplo, não precisa necessariamente detalhar uma experiência antiga que não tenha relação com a função.A ordem também importa. As experiências profissionais devem aparecer da mais recente para a mais antiga, com nome da empresa, período de atuação e um resumo das principais atividades desenvolvidas.Outro ponto destacado por Ana Luiza é o uso de palavras-chave relacionadas à área de atuação. Em vez de simplesmente escrever que possui determinada experiência, o candidato pode apresentar os conhecimentos e ferramentas que domina e que têm relação com a vaga.O que colocar no currículo?De acordo com a especialista, o documento deve começar pelas informações básicas de identificação e contato, como nome, e-mail, telefone, cidade e, no máximo, o bairro onde o candidato mora.Para determinadas vagas, principalmente posições mais estratégicas, também pode ser interessante incluir o LinkedIn.Já informações como CPF, RG e endereço completo não precisam aparecer no currículo. Além de não serem necessárias nessa etapa, elas ocupam espaço que poderia ser utilizado para apresentar informações profissionais relevantes.A psicóloga também não considera necessário incluir foto, salvo quando a própria empresa solicitar ou quando a imagem for parte essencial da atividade profissional.Resumo profissional deve ser curtoDepois dos dados pessoais, o candidato pode apresentar um breve resumo profissional. A orientação é que esse trecho tenha aproximadamente três ou quatro linhas, destacando experiências, conhecimentos e competências relacionadas à área pretendida.Para Ana Luiza, o espaço deve ser utilizado para mostrar aquilo que o profissional efetivamente sabe fazer.Uma pessoa que trabalha com recrutamento e seleção, por exemplo, pode mencionar conhecimentos em entrevistas por competência, recrutamento em massa e plataformas utilizadas na área, em vez de simplesmente escrever que possui “experiência em RH”.Currículo não deve ser igual para todas as vagasOutro ponto importante levantado pela especialista é a necessidade de adaptar o currículo para cada oportunidade.Enviar exatamente o mesmo documento para empresas e cargos diferentes pode fazer com que informações importantes para determinada vaga não apareçam.A recomendação é observar os requisitos do anúncio e destacar experiências e conhecimentos que tenham relação direta com aquela posição.“Quanto mais a pessoa trouxer informações dela própria, informações profissionais dela, e não informações genéricas, isso traz uma autenticidade maior para o currículo”, explica Ana Luiza.Cuidado com modelos prontosUsar um modelo encontrado na internet não é necessariamente um problema, mas simplesmente preencher um documento pronto e enviá-lo para todas as empresas pode deixar o currículo genérico.Além disso, layouts excessivamente elaborados podem dificultar a leitura. Segundo a especialista, alguns candidatos tentam chamar atenção pelo design, mas acabam escondendo informações importantes, como telefone, experiências e qualificações.Por isso, um currículo visualmente organizado, mas simples, pode facilitar a identificação das informações mais importantes.E quem ainda não tem experiência?A falta de experiência profissional não significa que o candidato não tenha informações para apresentar.Para quem está entrando no mercado de trabalho, Ana Luiza recomenda incluir trabalhos voluntários, atividades extracurriculares e cursos complementares, sempre informando a instituição, o período e as atividades realizadas.Essas experiências ajudam a apresentar conhecimentos e habilidades que podem ser relevantes para a vaga.Pretensão salarial também pode eliminar candidatoOutro ponto que merece atenção é a pretensão salarial. Algumas empresas solicitam essa informação já no processo de candidatura, e o valor informado pode influenciar a continuidade do candidato na seleção.Se a empresa oferece R$ 2 mil e o candidato informa uma pretensão de R$ 3 mil, por exemplo, existe a possibilidade de ele não avançar no processo por incompatibilidade de expectativa.A especialista, porém, recomenda que o candidato não inclua a pretensão salarial por iniciativa própria quando ela não for solicitada pela empresa. Nesse caso, o assunto pode ser tratado durante a entrevista.Quer saber mais notícias de concurso, curso e empregos? Acesse nosso canal no WhatsApp O que pode eliminar um candidato na análise do currículo?Além do excesso de informações, alguns problemas simples podem comprometer a candidatura. Entre eles estão: erros de digitação; currículo muito genérico; falta de adaptação para a vaga; excesso de informações irrelevantes; layout que dificulta a leitura; uso desnecessário de documentos pessoais; inclusão de experiências que não têm relação com a oportunidade; ausência de informações importantes para a função.No fim, a mudança no currículo acompanha uma transformação no próprio processo de recrutamento. Em vez de contar toda a história profissional do candidato, o documento precisa funcionar como uma apresentação objetiva das experiências e competências mais relevantes para aquela oportunidade.Para quem está procurando emprego, portanto, a questão não é colocar o máximo possível de informações, mas saber quais informações realmente ajudam o recrutador a entender, em poucos minutos, por que aquele profissional pode ser adequado para a vaga.

Fonte original: https://dol.com.br/noticias/cursos--empregos/964304/o-que-mudou-nos-curriculos-nos-ultimos-anos-veja-o-que-recrutadores-valorizam