O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), 70, foi reeleito nas eleições deste domingo (4).Com mais de 80% das urnas apuradas, Jorginho tem 68,3% dos votos válidos, ante 15,9% do candidato Gelson Merísio (PSB) —que concorreu com o apoio do PT— e 13,7% do candidato João Rodrigues (PSD). O resultado foi confirmado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).Leia também:Lula e Flávio Bolsonaro vão disputar o 2° turno das eleições 2026TRE-MG vai investigar celular usado por Zema durante votaçãoAo longo dos próximos quatro anos, Jorginho será acompanhado pelo ex-prefeito de Joinville Adriano Silva (Novo), eleito vice-governador. A companheira de chapa de 2022, Marilisa Boehm (PL), ficou de fora da disputa neste ano.O governador reeleito nasceu em Ibicaré, na região central do estado. Foi vereador em uma cidade próxima, Herval d’Oeste, por um mandato, no final da década de 1970. Em 1994, conquistou sua cadeira na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, onde permaneceu até janeiro de 2011. Foi eleito duas vezes deputado federal logo na sequência, nos pleitos de 2010 e 2014. Em 2018, ganhou uma cadeira no Senado. Na campanha deste ano, Jorginho liderou todas as pesquisas de intenção de voto feitas pela Quaest desde agosto. É a terceira eleição consecutiva que os catarinenses elegem ao governo o candidato que carrega o mesmo número do presidenciável bolsonarista.Em 2018, Carlos Moisés, então no PSL, mesmo partido de Jair Bolsonaro, surpreendeu ao derrotar Gelson Merísio no segundo turno. À época no PSD, Merísio era apoiado pelo incumbente Raimundo Colombo, e representava a centro-direita tradicional.Mais tarde, durante seu mandato, Moisés rompeu com o bolsonarismo. E, em 2022, filiado ao Republicanos, não conseguiu se reeleger, ficando em terceiro lugar nas urnas. O vencedor daquele ano foi o então senador Jorginho, que obteve 38,61% dos votos no primeiro turno e, com mais de 70% dos votos, derrotou Décio Lima (PT) no segundo turno.Ao longo do primeiro mandato no governo catarinense, Jorginho seguiu caminho oposto ao de Moisés e mostrou fidelidade a Bolsonaro, defendendo a liberdade do ex-mandatário, que está em prisão domiciliar após ser condenado por tramar um golpe para impedir o mandato do presidente Lula (PT).Durante seu governo, tentou acabar com cotas raciais em universidades e sancionou lei para anistiar professores que se recusaram a se vacinar na pandemia da Covid-19.Apesar da disciplina programática dos últimos anos, o governador apoiou Dilma Rousseff (PT) em 2014 e permaneceu ao seu lado até romper com os petistas e votar a favor do impeachment da ex-presidente.Em 2019, ao ser eleito senador, abraçou de vez o movimento político que ganhava corpo na época e ganhou projeção nacional ao fazer parte da chamada "tropa de choque bolsonarista" da CPI da Covid-19.Gelson Merísio, que concorreu ao governo catarinense neste ano com o apoio do PT, também mudou de lado ao longo de sua trajetória política. Em 2018, quando foi ao segundo turno contra Moisés, ambos disputavam para provar quem era mais bolsonarista."Eu mudei com muito prazer", disse o agora socialista, ao explicar o apoio a Jair Bolsonaro em 2018. A mudança fez Lula alçá-lo ao posto de braço direito. "Vocês sabem que o Marx tinha um cara rico que o acompanhava; [ele se] chamava Engels. Esse cara é o meu Engels", disse o petista em comício feito em Florianópolis, em 19 de setembro.Gelson Merísio começou sua carreira como vereador de Xanxerê entre 1989 e 1992. Foi deputado estadual de 2005 a 2019, chegando a presidir o parlamento por cerca de cinco anos. Próximo aos irmãos Batista, foi membro do conselho de administração da JBS.Nestas eleições, a bandeira do bolsonarismo não foi levantada apenas por Jorginho. O ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues também integra o campo da direita radical.João Rodrigues já foi vice-prefeito e prefeito de Pinhalzinho, deputado estadual e deputado federal. Em 2018, foi preso suspeito de dispensa irregular de licitação para compra de retroescavadeira para Pinhalzinho em 1999. Em 2020, porém, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) o inocentou por unanimidade –o que foi insuficiente para impedir Mello de usar o fato contra Rodrigues em sua publicidade televisiva.Além de lembrar do episódio da prisão, a campanha do PL também incluiu o ex-prefeito de Chapecó em um compilado de vídeos de prefeitos agradecendo ao governador por sua política municipalista.Rodrigues demitiu seu marqueteiro, Juarez Guedes, logo no início da campanha, seguindo sem nenhum nome do marketing político.A chapa de Merísio buscou vincular-se ao lulismo com o mote "seremos resistência", para tentar repetir o efeito de 2022, quando Décio Lima (PT) conseguiu avançar ao segundo turno colando-se em Lula.Quer receber mais notícias das eleições de 2026? Acesse o canal do DOL no WhatsApp!Outros cinco nomes se apresentaram para a disputa ao Governo de Santa Catarina. O professor Marcus Sodré (PSTU), 54, a psicóloga Laís Chaud (UP), 31, o empresário Marcelo Brigadeiro (Missão), 44, o advogado Ralf Zimmer (PRD), 47, e o trabalhador da construção civil Bruno Pedreiro (PCO), 40.

Fonte original: https://dol.com.br/noticias/politica/964622/jorginho-mello-pl-e-reeleito-governador-de-sc