A coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Daniella Marques, defendeu nesta segunda-feira (19) um novo modelo para o Bolsa Família e criticou a forma com a qual o programa é gerido atualmente.Ela aponta que será implementada uma transição de dois anos para beneficiários que conseguirem emprego formal ou abrirem um negócio. Além disso, ela classificou o Bolsa Família como uma prisão assistencialista.Leia também:Eleições 2026: veja quais locais de votação mudaram no 2° turno no ParáLula x Flávio Bolsonaro na Globo: veja quando será o proximo debateAs declarações foram feitas durante entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan. Daniella também concedeu entrevista à CBN Bahia no mesmo dia, onde detalhou a proposta.Pela ideia da equipe de Flávio, o beneficiário continuaria a receber o Bolsa Família mesmo após conquistar um emprego com carteira assinada ou abrir uma empresa.
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Ao defender a criação de um Ministério da Prosperidade, ela afirmou que o objetivo central seria mudar a relação dos beneficiários com o Estado.Segundo Daniela, a pasta reuniria políticas de assistência social, trabalho e empreendedorismo em um único espaço.Portanto, o desligamento ocorreria somente depois de 24 meses de estabilidade financeira. Caso houvesse demissão nesse período, a família poderia retornar ao programa."É justamente essa. É a gente libertar o Brasil dessa prisão assistencialista", declarou a economista.Ainda na entrevista, Daniella acusou o governo Lula de usar os programas sociais para manter a população dependente do Estado. "Se o governo usa o medo e os programas para aprisionar as pessoas no medo, tá errado. É uma relação tóxica e abusiva", afirmou.Contudo, a coordenadora classificou o Bolsa Família como um programa meritório e disse não pretender acabar com a assistência social. Para ela, o benefício deve funcionar como uma etapa de transição, não como um destino permanente para famílias de baixa renda.A proposta, por outro lado, envolve integrar o Cadastro Único, o Sistema Nacional de Emprego (Sine), o Sistema S e instituições financeiras públicas para estimular a formalização e o empreendedorismo.Dados contradizem a tese de dependência permanenteA descrição da assistência social como uma prisão contrasta com números reais sobre o programa. Conforme reportagem do ICL Notícias publicada em maio, 5,1 milhões de famílias deixaram o Bolsa Família desde 2023 após aumento de renda, segundo o ministro Wellington Dias. Esse total corresponde a cerca de 15 milhões de pessoas.Além disso, um levantamento divulgado em outubro mostrou que beneficiários do Bolsa Família responderam por 85,18% do saldo líquido de empregos formais gerados no Brasil entre janeiro de 2023 e julho de 2026, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV). Foram aproximadamente 4,58 milhões de postos líquidos de um total nacional de 5,38 milhões. Esse indicador corresponde à diferença entre admissões e desligamentos, não à proporção de beneficiários empregados. Ainda assim, os dados mostram que a participação no programa não impede a entrada no mercado formal.Os números não indicam que todas essas famílias superaram definitivamente a pobreza. No entanto, colocam em questão a caracterização da assistência social como mecanismo de dependência permanente.Parte das propostas já existeO Bolsa Família já possui uma regra de proteção que permite a continuidade temporária de parte do benefício após o aumento da renda familiar. Desde julho de 2025, os prazos dessa regra variam conforme a situação da família.Ou seja, quem já estava incluído no mecanismo pode permanecer por até 24 meses. Assim, a proposta de Daniella precisa ser detalhada para que seja possível identificar o que mudaria na prática.Outra medida apresentada pela coordenadora também encontra iniciativas semelhantes no governo federal: a integração entre assistência social, qualificação profissional e acesso ao crédito. Instituído pela Lei 14.995/2024, o programa Acredita no Primeiro Passo já oferece qualificação, empreendedorismo, inclusão produtiva e microcrédito para pessoas inscritas no Cadastro Único. Em fevereiro de 2026, a Caixa Econômica Federal anunciou uma linha de microcrédito voltada a esse público.Daniella, porém, não detalhou as diferenças de abrangência, financiamento ou funcionamento entre essas políticas e o Ministério da Prosperidade que pretende criar.Flávio Bolsonaro chamou Bolsa Família de esmola eterna em 2014O discurso da coordenadora econômica tem um antecedente direto nas declarações do próprio candidato. Em 11 de outubro de 2014, Flávio Bolsonaro usou suas redes sociais para classificar o Bolsa Família como esmola eterna. Na ocasião, ele era deputado estadual e a publicação acompanhava uma tabela com o número de beneficiários por estado. A postagem foi feita durante a campanha presidencial de 2014, quando Dilma Rousseff (PT) disputava a reeleição. Quer receber mais notícias do Brasil e do mundo? Acesse o canal do DOL no WhatsApp!Doze anos depois, a coordenadora econômica de sua candidatura presidencial voltou a acusar o modelo de assistência social de levar à dependência do Estado.
Fonte original: https://dol.com.br/noticias/brasil/966012/bolsa-familia-campanha-de-flavio-fala-em-prazo-de-2-anos-veja-a-proposta




