O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu aos 95 anos nesta terça-feira (22), no Rio de Janeiro. Segundo a Academia Brasileira de Letras (ABL), ele faleceu em casa em decorrência de uma pneumonia. Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Zuenir Ventura se destacou por reportagens e livros sobre política, violência e questões sociais brasileiras. Ele deixa a mulher, Mary Ventura, e os filhos Mauro e Elisa. A ABL informou que o velório será realizado nesta quarta-feira (23), na sede da instituição. O corpo será sepultado no Mausoléu dos Imortais, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Da vida em Minas ao jornalismoNascido em Além Paraíba, em Minas Gerais, Zuenir mudou-se ainda jovem para o Rio de Janeiro. Antes de construir a carreira na imprensa, exerceu diferentes atividades profissionais e estudou Letras Neolatinas na então Faculdade Nacional de Filosofia.Durante a formação, teve contato com professores e intelectuais que influenciaram sua trajetória, entre eles Manuel Bandeira, Alceu Amoroso Lima e Cleonice Berardinelli. O início no jornalismo veio a partir de contatos feitos durante esse período.Zuenir também atuou como professor universitário e passou por diferentes veículos de comunicação ao longo da carreira. A experiência acumulada na imprensa ajudou a consolidar um estilo marcado pela reportagem e pela análise de acontecimentos brasileiros.“1968 – O ano que não terminou”Um dos trabalhos mais conhecidos de Zuenir Ventura foi o livro “1968 – O ano que não terminou”, publicado em 1988. A obra revisitou acontecimentos políticos e sociais daquele período e se tornou uma referência sobre a geração que viveu os anos de ditadura militar.Quer ler mais notícias de fama? Acesse o canal do DOL no WhatsApp!O livro também inspirou a minissérie “Anos Rebeldes”, produzida pela TV Globo. Um dos capítulos da obra serviu ainda de inspiração para o filme “O homem que disse não”, realizado pelo cineasta Olivier Horn para a televisão francesa.A cobertura do assassinato de Chico MendesNo início de 1989, Zuenir foi ao Acre como repórter especial para acompanhar a investigação do assassinato do ambientalista Chico Mendes. O trabalho resultou em uma série de reportagens premiada e posteriormente também deu origem ao livro “Chico Mendes: crime e castigo”.Durante a cobertura, o jornalista teve contato com Genésio, então adolescente e considerado uma testemunha importante do caso. Anos depois, Zuenir contou que o garoto estava ameaçado e acabou sendo acolhido por sua família.“Cidade Partida” e a violência no RioEm 1994, Zuenir publicou “Cidade Partida”, obra que se tornou uma das mais conhecidas de sua trajetória. O livro aborda a violência e as desigualdades sociais do Rio de Janeiro a partir da experiência do jornalista em Vigário Geral, após a chacina que matou 21 pessoas em 1993.A obra recebeu o Prêmio Jabuti e consolidou a atuação de Zuenir também na literatura de não ficção. Seu trabalho passou a ser associado à capacidade de aproximar a reportagem dos conflitos sociais vividos no país.Prêmios e reconhecimentoAo longo da carreira, Zuenir Ventura recebeu importantes reconhecimentos pelo trabalho jornalístico. Entre eles estão o Prêmio Esso e o Prêmio Vladimir Herzog.Em 2008, recebeu ainda uma homenagem da Organização das Nações Unidas (ONU) por sua contribuição à defesa dos direitos humanos no Brasil.Além do jornalismo e da literatura, Zuenir também trabalhou no audiovisual. Participou da codireção do filme “Um Dia Qualquer”, lançado em 2000, e assinou o roteiro do documentário “Paulinho da Viola: Meu Tempo é Hoje”, dirigido por Izabel Jaguaribe e lançado em 2003.Zuenir Ventura na Academia Brasileira de LetrasZuenir foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 30 de outubro de 2014, ocupando a Cadeira 32, anteriormente pertencente a Ariano Suassuna. A posse ocorreu em 2015. Academia Brasileira de Letras+1Na ABL, manteve a produção intelectual e participou de atividades relacionadas à literatura, ao jornalismo e à memória cultural brasileira.A trajetória de Zuenir Ventura ficou marcada pela atuação em diferentes formatos da reportagem investigativa aos livros e documentários e por trabalhos que registraram momentos importantes da história recente do Brasil.
Fonte original: https://dol.com.br/entretenimento/fama/963446/zuenir-ventura-morre-aos-95-anos-relembre-a-trajetoria-do-jornalista-e-escritor




