O fim da escala 6×1 no Brasil ganhou repercussão na imprensa internacional após o Senado aprovar, na quarta-feira (14/10), a proposta de redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial. A votação, que terminou com 75 votos favoráveis e um contrário, foi apresentada por veículos estrangeiros como uma conquista para os trabalhadores e uma vitória política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa eleitoral contra Flávio Bolsonaro (PL).Publicações da Espanha, Argentina, Reino Unido e Alemanha destacaram tanto os possíveis efeitos sociais e econômicos da mudança quanto as estratégias dos candidatos à Presidência. A alteração de posicionamento de Flávio Bolsonaro, que passou a apoiar a proposta pouco antes da votação, também recebeu atenção dos jornais e das agências internacionais.CONTEÚDO RELACIONADOLula deve participar da promulgação do fim da escala 6×1 no CongressoFim da escala 6x1 também afeta quem trabalha de segunda a sextaFim da escala 6x1: como sindicatos e empresas vão negociar as novas regrasJORNAIS ESTRANGEIROS DESTACAM IMPACTO DA MEDIDA
Na Espanha, o El País enfatizou os benefícios da mudança para os trabalhadores brasileiros. A publicação destacou, em sua manchete, que dezenas de milhões de pessoas poderão conquistar um segundo dia de descanso semanal, além de apontar a aprovação como um resultado politicamente favorável a Lula.Na Argentina, o Clarín relacionou a votação ao calendário eleitoral brasileiro e observou que a decisão ocorreu a menos de duas semanas do segundo turno. O La Nación, por sua vez, classificou a proposta como “a grande aposta de Lula antes do segundo turno”.Quer mais notícias nacionais? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.O jornal argentino também chamou a atenção para a mudança de posição de Flávio Bolsonaro, que anunciou apoio à iniciativa aproximadamente 48 horas antes da votação no Senado, embora anteriormente fosse contrário à proposta.FINANCIAL TIMES APONTA VITÓRIA POLÍTICA E POSSÍVEIS CUSTOS EMPRESARIAISNo Reino Unido, o Financial Times destacou que o Brasil, maior economia da América Latina, aprovou uma proposta para encerrar o modelo de trabalho de seis dias por semana. O periódico classificou o resultado como favorável a Lula, mas também deu espaço às preocupações de representantes empresariais com o possível aumento dos custos operacionais.A publicação ponderou, por outro lado, que a redução da jornada pode aproximar o país de economias de renda mais elevada, nas quais a diminuição do tempo de trabalho esteve associada a ganhos de produtividade e eficiência.O The Guardian também repercutiu a aprovação e estimou que a mudança poderá afetar até 30 milhões de brasileiros. O jornal recuperou ainda a trajetória do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que ganhou projeção nas redes sociais e levou a discussão sobre a escala 6×1 ao centro do debate público.A mobilização foi criada por um auxiliar de farmácia e, após conquistar apoio popular, passou a influenciar as discussões políticas sobre as condições de trabalho no país. Lula aderiu à pauta, que se tornou uma das bandeiras de seu governo.MUDANÇA DE POSIÇÃO DE FLÁVIO BOLSONARO ENTRA NO DEBATEA posição de Flávio Bolsonaro sobre o fim da escala 6×1 foi outro aspecto explorado pela imprensa internacional. Candidato à Presidência contra Lula, o senador mudou de posicionamento poucos dias antes da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC).Segundo o The Guardian, apesar de declarar apoio à redução da jornada, Flávio defendeu uma alternativa baseada no pagamento pelas horas efetivamente trabalhadas.A agência norte-americana Associated Press (AP) interpretou a movimentação dos aliados do senador como uma tentativa de evitar que a resistência à proposta provocasse desgaste eleitoral. De acordo com a agência, os parlamentares ligados ao candidato deixaram de bloquear o avanço da matéria.A AP também destacou que o único voto contrário à PEC foi o do senador Hamilton Mourão, ex-vice-presidente da República durante o governo Jair Bolsonaro.Em outra frente, o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou, em entrevista à TV Jovem Pan, que, se Flávio Bolsonaro vencer a eleição, o candidato deverá aprovar a PEC 12/2026, que prevê um modelo de contratação com remuneração por hora trabalhada.ALEMANHA TAMBÉM REPERCUTE APROVAÇÃO NO SENADOA emissora alemã Deutschlandfunk noticiou a aprovação da proposta e ressaltou o apoio de diferentes grupos políticos à mudança nas regras de jornada de trabalho.A cobertura também relacionou a votação aos interesses eleitorais de Lula, que busca fortalecer sua posição na disputa presidencial contra Flávio Bolsonaro.O El País voltou a destacar o resultado expressivo no Senado, com 75 votos favoráveis e apenas um contrário. Já o Financial Times ressaltou que a medida representa o avanço de uma das principais promessas de Lula a pouco mais de uma semana do segundo turno.COMO FOI A VOTAÇÃO DO FIM DA ESCALA 6X1O plenário do Senado concluiu a aprovação da PEC na noite de quarta-feira (14). A proposta avançou depois que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), colocou a matéria em votação, movimento que levou parlamentares da oposição a reverem sua posição.O resultado foi interpretado como um marco para a discussão sobre a organização do trabalho no Brasil. Além da repercussão internacional, a votação ampliou o debate sobre os efeitos da redução da jornada na vida dos trabalhadores e na estrutura de custos das empresas.O QUE MUDA COM O FIM DA ESCALA 6X1O texto aprovado prevê a substituição da escala 6×1, em que o trabalhador atua por seis dias e descansa um, pelo modelo 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso remunerado por semana.A proposta também estabelece a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial. A implementação, contudo, será gradual, com um período de transição previsto de 14 meses.O cronograma definido no texto prevê duas etapas:Primeiros 60 dias após a promulgação: as empresas deverão adotar a escala 5×2 e reduzir a jornada máxima semanal para 42 horas.Após mais 12 meses: o limite deverá passar de 42 para 40 horas semanais.Dessa forma, a mudança pretende ampliar o período de descanso dos trabalhadores brasileiros sem diminuir seus salários. Ao mesmo tempo, a implementação mantém em discussão os possíveis reflexos sobre os custos das empresas, a produtividade e a economia.
Fonte original: https://dol.com.br/noticias/brasil/965779/vitoria-de-lula-imprensa-internacional-destaca-o-fim-da-escala-61




