Um novo método para investigar o câncer de endométrio poderá tornar o diagnóstico menos invasivo para mulheres com suspeita da doença. Desenvolvido a partir de uma coleta vaginal com cotonete, o teste procura identificar vestígios genéticos de células cancerígenas e, futuramente, poderá diminuir a necessidade de biópsias em parte das pacientes.A tecnologia foi criada pela empresa PinkDx, da Califórnia, e está sendo testada em 16 centros de pesquisa norte-americanos. O público-alvo são mulheres que apresentam sintomas suspeitos, principalmente sangramentos anormais depois da menopausa.CONTEÚDOS RELACIONADOS:Alzheimer: 7 hábitos que ajudam a proteger o cérebroAnvisa aprova novo comprimido contra atrofia muscular espinhalAtualmente, a investigação desse tipo de câncer geralmente inclui ultrassonografia transvaginal e biópsia do endométrio. Nesse último procedimento, um profissional de saúde utiliza um instrumento fino para retirar uma pequena quantidade de tecido do útero, que posteriormente é encaminhada para análise laboratorial.Apesar de ser importante para confirmar o diagnóstico, a biópsia pode provocar desconforto e nem sempre consegue fornecer material suficiente para os exames. Uma reportagem do The Washington Post aponta que aproximadamente 30% das tentativas realizadas em mulheres após a menopausa não conseguem obter amostras adequadas.Como funciona a coleta vaginal?O câncer de endométrio se desenvolve no tecido que reveste a parte interna do útero. Durante o processo de morte das células tumorais, fragmentos de material genético são liberados e podem alcançar a região vaginal.É justamente esse mecanismo que o novo exame pretende aproveitar. Com um cotonete, é retirada uma amostra vaginal que depois passa por análise laboratorial para identificar alterações genéticas relacionadas à presença do câncer.Em uma avaliação preliminar, realizada com 27 mulheres que seriam submetidas à retirada do útero, a PinkDx conseguiu encontrar sinais da doença até mesmo em materiais coletados na entrada da vagina.Os resultados são considerados iniciais e ainda precisam ser validados em estudos mais abrangentes. Nicolas Wentzensen, vice-diretor do Departamento de Genética Clínica do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, ressaltou que o número reduzido de participantes exige cautela e que os achados devem ser confirmados por pesquisadores independentes.Estudo com 3 mil mulheres busca confirmar eficáciaA nova fase da pesquisa pretende reunir aproximadamente 3 mil participantes, com previsão de conclusão ainda em 2026. De acordo com representantes da PinkDx, os resultados obtidos até agora estão de acordo com as expectativas.Entre os objetivos estabelecidos está a capacidade de detectar pelo menos 90% dos casos de câncer de endométrio. Outra meta é identificar corretamente a ausência da doença em, no mínimo, metade das mulheres que não apresentam o tumor.Caso os índices sejam alcançados e confirmados, o teste poderá ser utilizado como uma etapa inicial da investigação, ajudando a selecionar as pacientes que realmente precisam de procedimentos mais invasivos.Quer receber notícias direto no celular? Acesse nosso canal no WhatsApp!Mesmo com um resultado positivo, a biópsia continuará sendo necessária para confirmar a presença do câncer. Já as mulheres com resultado negativo deverão receber avaliação médica para identificar outras possíveis explicações para os sintomas.Por enquanto, o exame permanece em fase de pesquisa e não substitui os métodos convencionais de diagnóstico.
Fonte original: http://dol.com.br/noticias/te-cuida/967059/teste-com-cotonete-pode-evitar-biopsias-em-casos-suspeitos-de-cancer
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