A Justiça do Pará realiza nesta terça-feira (22/09), às 11h, a audiência de instrução do processo que apura a morte do colaborador do Grupo RBA, Raimundo Trindade, atropelado em abril deste ano, em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém. O suspeito, Mauro Wilson Pereira Bendelack, responde à ação penal por homicídio simples, conforme denúncia recebida pela Vara do Tribunal do Júri de Ananindeua.A audiência foi designada pela juíza Fabíola Urbinati Maroja Pinheiro. Nesta etapa do processo, devem ser colhidos depoimentos de testemunhas e demais elementos de prova, além do interrogatório do acusado, conforme as determinações judiciais.CONTEÚDOS RELACIONADOSColaborador da RBA morre em acidente em AnanindeuaQuem era Raimundo Trindade, funcionário da RBATV que morreu em acidenteO processo teve início após o acidente que resultou na morte de Raimundo Trindade. Inicialmente, o caso havia sido enquadrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor sob influência de álcool, previsto no Código de Trânsito Brasileiro.Posteriormente, o Ministério Público apresentou denúncia por homicídio simples, previsto no artigo 121 do Código Penal. A mudança de enquadramento levou o caso para a competência do Tribunal do Júri e está relacionada à tese de que o suspeito teria assumido o risco de provocar a morte.A definição sobre a responsabilidade penal do réu, no entanto, ainda depende do andamento do processo e da análise das provas produzidas durante a instrução.Relembre o acidenteRaimundo Trindade morreu após ser atingido por um carro enquanto conduzia uma motocicleta nas proximidades do Condomínio Super Life, na área do Jiboia Branca, em Ananindeua.Segundo relatos de testemunhas, o veículo envolvido era um Hyundai HB20 branco. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o carro teria invadido a pista contrária e atingido a motocicleta.Testemunhas também relataram que o motorista apresentava sinais de embriaguez. Após o acidente, Raimundo recebeu os primeiros atendimentos e, posteriormente, foi socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Apesar do atendimento de emergência, o colaborador da RBA não resistiu aos ferimentos e morreu.Prisão e medidas cautelaresApós o acidente, o motorista foi preso em flagrante. Na audiência de custódia, a prisão foi homologada e convertida em preventiva. No decorrer do processo, a prisão foi substituída por medidas cautelares, incluindo monitoração eletrônica e recolhimento domiciliar. A Justiça posteriormente autorizou a flexibilização do recolhimento aos sábados, das 8h às 14h, para que o suspeito pudesse exercer atividade profissional.Na resposta à acusação, a defesa também questionou a validade de vídeos e laudos relacionados aos veículos, alegando possível quebra da cadeia de custódia das provas. O pedido de reconhecimento imediato da nulidade não foi acolhido. A magistrada entendeu que a questão deveria ser analisada durante a instrução, com produção de provas e respeito ao contraditório.A defesa também pediu a realização de uma perícia complementar no local do acidente. A análise sobre a necessidade do novo exame foi postergada para depois da oitiva de testemunhas e peritos.Processo segue em fase de instruçãoCom a audiência desta terça-feira (22/09), o processo entra em uma etapa destinada à produção das provas necessárias para a análise da acusação e da defesa.Ao final da instrução, a Justiça deverá avaliar os elementos reunidos no processo para decidir os próximos passos da ação penal. Como o caso tramita no Tribunal do Júri, a eventual submissão do acusado a julgamento pelo Conselho de Sentença dependerá das decisões tomadas nas fases seguintes do processo.Raimundo Trindade trabalhou durante 37 anos no Grupo RBA. O colaborador era reconhecido pela dedicação e pelo trabalho nos bastidores da televisão. Ele deixou esposa e uma filha.

Fonte original: https://dol.com.br/noticias/policia/963441/suspeito-de-atropelar-e-matar-colaborador-da-rba-passa-por-audiencia