Quem exerce uma atividade que pode causar danos à saúde ganhou uma mudança importante nas regras de aposentadoria. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por maioria, retirar a exigência de idade mínima para a concessão da aposentadoria especial do INSS aos trabalhadores expostos a agentes nocivos.A decisão foi tomada em junho de 2026, durante o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6309. Para o Supremo, exigir que o trabalhador continue na atividade mesmo depois de cumprir o período necessário de exposição poderia contrariar a finalidade de proteção à saúde que justifica a existência do benefício.Conteúdo RelacionadoGoverno mantém desconto de R$ 2,12 no diesel e amplia fiscalizaçãoNovo lote do PIS/Pasep começa a ser pago; Veja como sacarCom a mudança, a idade deixa de ser um requisito para essa modalidade de aposentadoria. O ponto central passa a ser o cumprimento do período de contribuição em condições consideradas prejudiciais à saúde, além da comprovação de que o trabalho realmente ocorreu sob exposição aos agentes previstos nas regras previdenciárias.Tempo de exposição continua sendo exigidoA decisão do STF não significa que qualquer trabalhador exposto a uma condição de risco possa se aposentar imediatamente. É necessário comprovar o exercício de atividade especial durante o período mínimo correspondente ao grau de exposição.Os períodos previstos são de 15, 20 ou 25 anos, conforme o tipo de atividade e o agente nocivo ao qual o trabalhador esteve submetido. Entre os fatores que podem caracterizar a condição especial estão determinados níveis de ruído, calor, radiação e exposição a agentes químicos ou biológicos.Também é necessário apresentar documentação que demonstre as condições efetivas de trabalho. A análise não depende apenas da profissão exercida, mas das características da atividade e da exposição registrada nos documentos previdenciários.O cálculo do benefício não mudouEmbora tenha eliminado a idade mínima, o STF manteve outras regras criadas pela Reforma da Previdência de 2019 e isso inclui a forma de cálculo do benefício. Portanto, a decisão não restabeleceu automaticamente o modelo anterior à reforma, no qual a aposentadoria especial tinha cálculo mais vantajoso para determinados segurados.Pelas regras mantidas, o cálculo considera a média das contribuições e aplica os critérios estabelecidos pela reforma. Assim, deixar de cumprir uma idade mínima não significa, necessariamente, receber o mesmo valor que seria calculado pelas regras anteriores a 2019.Outro ponto preservado pelo Supremo envolve a conversão de tempo especial em tempo comum. A conversão continua permitida para períodos trabalhados em condições especiais até 13 de novembro de 2019, data de entrada em vigor da Reforma da Previdência. Já o tempo especial exercido depois dessa data não pode ser convertido em tempo comum para aumentar o período de contribuição. Na prática, isso significa que o histórico profissional de cada segurado precisa ser analisado separadamente, considerando as datas em que houve exposição, o tipo de agente nocivo e os documentos disponíveis para comprovação.Quem pode ser beneficiadoA aposentadoria especial é destinada a segurados que comprovem trabalho em condições prejudiciais à saúde. Entre os trabalhadores que podem ter períodos enquadrados nessa modalidade estão profissionais de áreas como saúde, indústria, mineração, laboratórios e outras atividades nas quais exista exposição a agentes nocivos.A decisão do STF alcança os segurados do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) e invalida especificamente a exigência de idade mínima criada pela Emenda Constitucional 103/2019.Quer saber mais do Brasil? Acesse o nosso canal no WhatsAppPor isso, quem já atingiu o tempo necessário de atividade especial e aguardava apenas o cumprimento da idade mínima pode ter uma mudança relevante na situação previdenciária.
Fonte original: https://dol.com.br/noticias/brasil/964048/stf-derruba-idade-minima-da-aposentadoria-especial-veja-regras




