O Paraguai vive uma das maiores crises políticas e financeiras de sua história recente. O ex-presidente Santiago Peña foi detido nesta sexta-feira (6), horas depois de ser afastado do cargo pelo Senado. A ordem de prisão foi determinada pelo Ministério Público, que investiga a possível participação do ex-chefe de Estado em irregularidades relacionadas ao colapso do Ueno Bank. Peña deverá cumprir prisão domiciliar.A destituição ocorreu após o avanço de um processo de impeachment motivado pelas suspeitas de envolvimento do presidente com a instituição financeira. A Câmara dos Deputados já havia aprovado a abertura do processo na quinta-feira (5), e o Senado deu sequência ao julgamento político, culminando no afastamento do mandatário.Conteúdo RelacionadoCrise bancária no Paraguai lembra caso Master e ameaça presidentePresidente do Paraguai anuncia renúncia sob ameaça de impeachmentCom a saída de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do país e deverá concluir o atual período de governo, previsto para terminar em agosto de 2028. A crise ganhou proporções nacionais depois que o Banco Central do Paraguai determinou a liquidação do Ueno Bank, no início da semana. A instituição apresentou problemas de solvência em meio a questionamentos sobre operações de crédito realizadas com empresas ligadas ao próprio grupo controlador. O encerramento das atividades provocou o bloqueio de contas e deixou aproximadamente 3 milhões de clientes sem acesso imediato aos recursos depositados. O banco também concentrava cerca de US$ 850 milhões em dinheiro público, incluindo valores vinculados ao Instituto de Previdência Social paraguaio. A relação de Peña com o conglomerado empresarial responsável pelo banco passou a ser um dos principais pontos de questionamento. O político, que chegou à Presidência em 2023, manteve participação acionária no grupo controlador até 2025.Parlamentares da oposição apontaram possíveis conflitos de interesses e cobraram explicações sobre a aplicação de dinheiro público na instituição. Também levantaram suspeitas de que órgãos reguladores teriam deixado de agir diante dos problemas financeiros do banco.Durante os debates que antecederam o afastamento, a deputada Rocío Vallejo responsabilizou politicamente o presidente pela dimensão dos prejuízos provocados pela crise e afirmou que milhões de paraguaios foram prejudicados.Peña, por sua vez, declarou que os responsáveis pelas irregularidades deverão responder à Justiça, independentemente de quem sejam. Antes de deixar o cargo, também defendeu que a recuperação dos valores dos poupadores fosse tratada como prioridade.Quer saber mais de mundo? Acesse o nosso canal no WhatsAppO caso agora avança em duas frentes: a investigação criminal sobre as suspeitas de irregularidades envolvendo o banco e a responsabilização dos envolvidos na crise que atingiu clientes e instituições públicas do Paraguai.
Fonte original: http://dol.com.br/noticias/mundo-noticias/967639/santiago-pena-e-preso-pela-policia-do-paraguai-apos-impeachment
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