A possibilidade de o governo federal restringir o mercado de apostas esportivas pode atingir diretamente as finanças de clubes de futebol que passaram a ter as casas de apostas como importantes fontes de receita. No Pará, Clube do Remo e Paysandu Sport Club também possuem contratos milionários com empresas do setor, que, em média, representam 5% das receitas oriundas dos patrocínios de bets.Em 2025, segundo o balanço financeiro, o Remo registrou R$ 82,9 milhões em receitas. Naquele ano, o clube recebeu cerca de R$ 3 milhões pelo patrocínio da Obabet, valor equivalente a aproximadamente 3,6% de toda a receita azulina. No mesmo período, as receitas provenientes de marketing, patrocínio e publicidade somaram R$ 23,6 milhões.CONTEÚDOS RELACIONADOSClube do Remo explica ausência em manifesto contra proibição das betsMedida provisória pode pôr fim às bets esportivas no Brasil; entendaBets notificam clubes e ameaçam romper contratos com nova MPPara 2026, o cenário projetado é ainda mais significativo. O orçamento previsto informado para a temporada é de aproximadamente R$ 220 milhões, enquanto o novo contrato de patrocínio com a Vai de Bet prevê R$ 12 milhões. Se a projeção orçamentária for confirmada, o acordo representará cerca de 5,4% de toda a receita prevista pelo clube para o ano.No Paysandu, a participação das bets no orçamento é ainda maior.O clube bicolor registrou R$ 69,58 milhões em receitas em 2025, segundo seu balanço anual. Desse total, R$ 5 milhões vieram do patrocínio da Ginga Bet, o equivalente a aproximadamente 7,1% da receita anual. As receitas totais com patrocínios chegaram a R$ 10,15 milhões naquele ano.Para 2026, o presidente do Paysandu, Márcio Tuma, afirmou que o orçamento do clube estaria na casa dos R$ 40 milhões. O contrato de patrocínio com a casa de apostas Bet da Sorte também é de R$ 5 milhões. Caso a projeção seja considerada como referência, o valor vai corresponder a 12,5% de todo o orçamento previsto para a temporada.Além da projeção, os números já registrados pelo Paysandu ao longo de 2026 mostram que o clube alcançou uma receita significativa antes mesmo do encerramento do ano. Segundo os balancetes mensais disponibilizados no Portal da Transparência, o Papão arrecadou R$ 45,7 milhões entre janeiro e julho.Possível mudança nas regras preocupa o futebolOs números ganham relevância diante da possibilidade de o governo federal alterar as regras do mercado de apostas esportivas. Clubes e entidades do futebol brasileiro já manifestaram preocupação com eventuais restrições ao setor, argumentando que as casas de apostas se tornaram uma importante fonte de receitas por meio de contratos de patrocínio.Na última quinta-feira (17), Botafogo, Corinthians, Flamengo, Fluminense, Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco divulgaram um manifesto conjunto com a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) e a Federação Paulista de Futebol (FPF).As entidades defenderam a manutenção do mercado regulado e alertaram para os possíveis impactos financeiros de uma mudança brusca nas regras. Atualmente, as empresas de apostas ocupam espaços de destaque nos uniformes e em outras propriedades comerciais de diversos clubes brasileiros.Cerca de 13 dos 20 clubes da Série A possuem contratos com empresas de apostas, enquanto o próprio Campeonato Brasileiro tem a Betano como patrocinadora.As casas de apostas também movimentaram valores expressivos no futebol brasileiro. Em 2025, os contratos de patrocínio entre empresas do segmento e clubes teriam ultrapassado R$ 1 bilhão.Manifesto de clubesApesar do impacto financeiro que o setor representa para o clube, o Remo informou ao DOL que não participou do manifesto divulgado pelos grandes clubes.Em nota, o clube azulino afirmou que não assinou nenhum documento e também não foi procurado para tratar do assunto. A diretoria acrescentou que, por esse motivo, não teria informações suficientes para se posicionar sobre o conteúdo do manifesto.“Não assinou nenhum documento e também não foi procurado em relação ao assunto”, informou o clube.A assessoria do Paysandu também foi procurada para comentar a possibilidade de mudanças nas regras das apostas esportivas e os impactos que uma eventual restrição poderia provocar nas receitas do clube, mas não havia apresentado resposta até a publicação desta matéria.Com contratos de R$ 12 milhões no Remo e R$ 5 milhões no Paysandu, as bets já representam uma parcela relevante das receitas projetadas dos dois principais clubes do Pará. A eventual mudança nas regras do setor, portanto, pode ter reflexos não apenas no mercado nacional, mas também diretamente no planejamento financeiro de Remo e Paysandu.
Fonte original: https://dol.com.br/esporte/esporte-para/963742/remo-e-paysandu-bets-representam-cerca-de-5-das-receitas-dos-clubes




