Uma auditoria da Prefeitura de Belém, realizada por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), revelou uma série de problemas na estrutura e no atendimento do Hospital de Crianças Pio XII. O levantamento, feito durante inspeções presenciais entre agosto e setembro de 2026, identificou irregularidades na disponibilidade de leitos, inconsistências nos registros de profissionais e falhas em serviços essenciais para a assistência aos pacientes. O documento foi encaminhado ao Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DENASUS).CONTEÚDOS RELACIONADOS:Águas do Pará realiza ação de desobstrução para reforçar abastecimento em BrevesPF prende suspeita de chefiar esquema de exploração sexual internacionalUm dos pontos que mais chamou a atenção da equipe técnica foi a diferença entre os leitos registrados no Sistema Único de Saúde (SUS) e aqueles efetivamente disponíveis. Apesar de possuir 70 leitos cadastrados, o hospital mantinha apenas 46 em funcionamento no período da fiscalização. Os outros 24 estavam distribuídos em quatro enfermarias que permaneciam fechadas. Conforme o relatório, os ambientes estavam trancados com cadeados e, quando foram abertos a pedido dos auditores, foram encontrados berços encostados e sem colchões, sem evidências de que os espaços estivessem passando por reformas.Hospital apresenta divergências no quadro de profissionaisAs inconsistências também foram identificadas nos registros de recursos humanos. De acordo com a auditoria, o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) apontava 70 profissionais vinculados à unidade, mas somente 28 foram localizados com vínculo efetivo no hospital. A diferença corresponde a 42 profissionais. O levantamento também encontrou serviços e equipamentos registrados no sistema que não estavam disponíveis na prática, como atendimentos nas áreas de cardiologia e oftalmologia.Na assistência nutricional, os auditores verificaram que o contrato da empresa responsável pela alimentação previa somente quatro horas semanais de trabalho de nutricionista, sem contemplar a avaliação individual dos pacientes internados. Em resposta à fiscalização, o próprio hospital reconheceu a limitação e informou que havia contratado uma profissional para ampliar o acompanhamento. Entretanto, segundo a equipe técnica, não foram apresentados documentos suficientes para comprovar a contratação e a adequação da jornada de trabalho.A assistência farmacêutica também foi apontada como um problema. Mesmo funcionando como unidade de urgência e emergência de portas abertas, o hospital contava com apenas duas farmacêuticas, com atendimento presencial limitado a oito horas diárias, de segunda-feira a sábado. Na prática, a cobertura ficava descoberta durante o período noturno, aos domingos e feriados. Para os auditores, as medidas internas apresentadas pela administração não são suficientes para garantir a assistência farmacêutica durante todo o funcionamento da unidade.Repasses financeiros continuam sendo realizadosOutro aspecto analisado foi a relação entre os pagamentos recebidos e os serviços efetivamente disponibilizados à população. O relatório aponta que, mesmo com parte dos leitos indisponível, não houve redução dos repasses financeiros ao hospital, inclusive dos valores destinados aos leitos da Rede de Urgência e Emergência (RUE).Dos 30 leitos habilitados nessa modalidade, apenas 27 estavam em funcionamento durante a inspeção. A auditoria também identificou que o hospital deixou de disponibilizar leitos à Central de Regulação por um período prolongado, sem apresentar justificativas formais para os bloqueios ou um plano de contingência.Sobre a situação financeira, a Sesma informou que os pagamentos das faturas referentes aos anos de 2025 e 2026 estão regularizados. Já os documentos relativos a 2024 permanecem sob análise criteriosa para verificar se os serviços cobrados foram, de fato, executados.Auditoria recomenda medidas para corrigir irregularidadesA Secretaria Municipal de Saúde destaca que a fiscalização teve como objetivo avaliar as condições estruturais, operacionais e assistenciais do Hospital Pio XII, além de verificar a correta utilização dos recursos públicos destinados à unidade. As explicações encaminhadas pelo hospital foram avaliadas individualmente, mas não foram consideradas suficientes para justificar ou solucionar diversas das irregularidades identificadas.Entre as recomendações apresentadas estão a atualização dos cadastros oficiais, a adequação da estrutura física e do quadro de profissionais, a reativação dos leitos previstos em contrato e a disponibilização dessas vagas à Central de Regulação. O documento também solicita a adoção de providências concretas para corrigir as falhas nos serviços de assistência.Quer receber notícias direto no celular? Acesse nosso canal no WahtsApp!A Prefeitura de Belém afirma que continua acompanhando tecnicamente o funcionamento da unidade e ressalta que os atendimentos pediátricos de média e alta complexidade permanecem garantidos pela rede municipal. Os casos considerados graves são encaminhados para hospitais de referência com estrutura adequada. Segundo a gestão, a prioridade é assegurar que os recursos públicos sejam convertidos em serviços efetivos e que as crianças recebam atendimento seguro e de qualidade.

Fonte original: http://dol.com.br/noticias/para/967515/prefeitura-de-belem-identifica-falhas-graves-no-hospital-pio-xii