A X2, montanha-russa de alta velocidade do parque Six Flags Magic Mountain, na Califórnia, voltou ao centro de uma série de denúncias após advogados afirmarem que mais de 100 passageiros apresentaram lesões cerebrais depois de utilizar o brinquedo nos últimos dois anos. Os novos relatos surgem na esteira de uma investigação da CNN que já havia apontado casos de graves problemas de saúde e mortes associados à atração.A montanha-russa, conhecida pelos assentos que giram durante o percurso, possui quedas quase verticais e movimentos em diferentes direções. Segundo os advogados, os novos clientes relatam problemas de diferentes níveis de gravidade após utilizarem o brinquedo nos últimos dois anos.CONTEÚDO RELATÓRIOTVs dos EUA suspendem cobertura após Trump barrar jornalistasBrasileira encontrada morta dentro de carro na França: que se sabe até o momentoAll Star retira anúncio após críticas de referência racista e enforcamentoPROCESSOS CHEGAM À JUSTIÇATrês novas ações foram apresentadas contra a empresa nesta semana. Os documentos afirmam que responsáveis pelo parque já teriam conhecimento de relatos anteriores envolvendo passageiros e questionam a permanência da atração em funcionamento.A CNN informou que não conseguiu verificar de forma independente todas as novas alegações. Os advogados, porém, afirmam ter recebido relatos de centenas de outras pessoas. Parte desses casos não poderia ser levada à Justiça por questões relacionadas ao prazo de prescrição, ausência de documentação médica ou porque os ferimentos relatados não envolviam o cérebro.Quer mais notícias internacionais? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.Entre os casos está o de Naomi Greer-Wilkinson, de 26 anos. Segundo o processo, ela perdeu a consciência depois de sair da X2 e precisou passar por uma cirurgia cerebral de emergência após sofrer um traumatismo craniano grave. Ela permanece em coma.PASSAGEIROS RELATAM CONSEQUÊNCIAS GRAVESOutra vítima citada é Pamela Guillen, de 40 anos. Ela também teria perdido a consciência após o passeio e precisado de cirurgia cerebral. De acordo com um e-mail analisado pela CNN, médicos apontaram que os ferimentos eram compatíveis com um evento traumático provocado por uma rápida aceleração e desaceleração durante o brinquedo.Guillen afirma que precisou reaprender a falar e andar. Ela também relata dores de cabeça intensas, dificuldade de raciocínio e uso de medicamentos para prevenir convulsões.O advogado Michael Wilk, de Los Angeles, é outro passageiro que entrou com ação. Ele afirma ter sofrido um grave sangramento cerebral depois de andar na X2, em fevereiro, e precisado passar por várias cirurgias. Wilk relata perda de memória, dores de cabeça e dificuldade para processar palavras. Segundo ele, os problemas o impediram de continuar exercendo a advocacia.X2 ACUMULA RELATOS HÁ MAIS DE UMA DÉCADAAs denúncias envolvendo a montanha-russa não são recentes. Relatos de ferimentos associados à atração existem há mais de dez anos, mas muitos deles permaneceram fora do conhecimento público até a investigação da CNN.A apuração identificou mais de uma dúzia de casos de ferimentos graves e hospitalizações relacionados à X2, além de pelo menos duas mortes mencionadas na reportagem anterior. Em julho, duas mulheres chegaram à mesma emergência médica de Santa Clarita após utilizarem a montanha-russa, com apenas seis dias de diferença entre os atendimentos.Nesta semana, o advogado Timothy Loranger também afirmou que novos clientes procuraram seu escritório. A banca representou a família de Christopher Hawley, de 22 anos, que morreu após sofrer um traumatismo cerebral depois de andar na X2 há quatro anos.Os novos relatos incluem casos de concussões graves e sangramentos cerebrais. Os advogados também afirmam representar a família de um jovem que teria morrido depois de utilizar a atração no fim de 2025. Segundo eles, seria a vítima mais recente entre pelo menos três mortes supostamente relacionadas à X2.COMO FUNCIONA A X2?A X2 utiliza uma tecnologia conhecida como "quarta dimensão". Diferentemente de uma montanha-russa convencional, os assentos conseguem girar 360 graus em torno dos trilhos enquanto o trem percorre o circuito.A atração pode atingir aproximadamente 130 km/h, e o percurso dura cerca de dois minutos. O equipamento é anunciado pelo parque como uma opção voltada aos visitantes que procuram experiências radicais.SIX FLAGS DIZ QUE BRINQUEDO ESTÁ FECHADOA Six Flags não comentou especificamente as novas ações judiciais. A empresa afirmou que não se manifesta sobre processos em andamento. Anteriormente, diante das perguntas da CNN, a companhia informou apenas que a X2 permanecia fechada.Em processos anteriores, os advogados da empresa defenderam a atração e argumentaram que os visitantes são informados sobre os riscos inerentes à utilização de brinquedos e atrações de parques de diversões.A empresa também declarou que a X2 passa por testes regulares e sustentou que as forças físicas experimentadas durante o passeio não seriam suficientes para provocar traumatismo cerebral em um passageiro considerado “normal” que utilize o equipamento conforme as instruções.FECHAMANTO OCORREU APÓS NOVO INCIDENTEA X2 foi fechada na noite de 12 de julho, quase um dia depois de um novo incidente no parque, segundo informações atribuídas a um porta-voz do Six Flags. O parque, contudo, não informou o motivo específico que levou ao fechamento da atração. A medida ocorreu depois de anos de relatos envolvendo supostos ferimentos e questionamentos sobre os riscos do equipamento.A Divisão de Saúde e Segurança Ocupacional da Califórnia, responsável pela supervisão das operações de brinquedos em parques de diversões, não respondeu às perguntas da CNN sobre os novos casos. Segundo a agência, uma inspeção da atração continua em andamento.O advogado Gary Dordick, que afirma representar mais de 100 novos clientes, disse que vários passageiros relatam ter comunicado os problemas à Six Flags. Ainda não está claro quantos desses casos chegaram ao conhecimento das autoridades estaduais.
Fonte original: https://dol.com.br/noticias/mundo-noticias/963524/mais-de-100-pessoas-tiveram-lesoes-cerebrais-em-montanha-russa




