O primeiro debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado no domingo (18/10), pela Band, ganhou repercussão na imprensa internacional. Veículos da França, Argentina, Espanha e Catar destacaram o clima de tensão, as acusações mútuas e as provocações entre os candidatos, que disputam a Presidência da República no segundo turno das eleições.Até o encontro, os dois presidenciáveis ainda não haviam participado de debates eleitorais nesta campanha. Segundo o agregador de pesquisas da BBC News Brasil citado na cobertura, Lula e Flávio apareciam tecnicamente empatados a uma semana da votação final. A proximidade na disputa aumentou a atenção sobre o confronto, marcado por ataques pessoais e acusações de corrupção.CONTEÚDOS RELACIONADOSManifestantes levam 'míssil' pedindo ataque dos EUA ao BrasilGoverno de Lula aciona ANPD e MPF contra possíveis abusos da MetaTSE proíbe Meta de restringir publicações de candidatos à PresidênciaO jornal francês Le Monde, em sua versão em inglês, descreveu o encontro como uma troca de insultos entre os adversários. A publicação ressaltou que os ataques e as referências a escândalos políticos refletiram o ambiente de polarização no país.“Um embate caótico entre os dois candidatos, que, em diversas ocasiões, chamaram um ao outro de mentiroso, acusaram-se mutuamente de corrupção e trouxeram à tona vários escândalos, sintetizou o tom de uma campanha eleitoral acirrada em uma nação profundamente polarizada”, afirmou o jornal.O Le Monde também chamou a atenção para o comportamento de Flávio Bolsonaro durante o debate. Segundo a publicação, o senador tentou desestabilizar Lula ao caminhar atrás do presidente enquanto ele falava, balançar a cabeça e demonstrar ironia diante das câmeras.A reportagem destacou ainda que Lula, que se aproxima dos 81 anos e busca um quarto mandato presidencial, demonstrou irritação em alguns momentos. O presidente também pediu repetidamente que os espectadores pesquisassem informações na internet para verificar o que classificava como mentiras do adversário.Jornais argentinos destacam tensão e acusaçõesNa Argentina, o jornal Clarín classificou o encontro como um debate marcado por um “clima de tensão”. A publicação enfatizou as acusações de corrupção e avaliou que Lula tentou assumir a dianteira na disputa após o resultado do primeiro turno.“Os dois candidatos trocaram acusações de suposta corrupção, com o presidente Lula tentando assumir a dianteira, uma estratégia para recuperar pontos junto ao eleitorado após ter perdido, de forma surpreendente, o primeiro turno”, escreveu o jornal argentino.O Clarín também destacou as referências feitas por Lula ao presidente argentino Javier Milei e aos interesses dos Estados Unidos. Durante o confronto, o presidente brasileiro associou o adversário à agenda política de Milei, enquanto Flávio recorreu a denúncias de corrupção envolvendo o governo petista.Já o jornal La Nación publicou que as referências a Milei e às denúncias de corrupção marcaram o confronto entre os dois candidatos. A análise ressaltou que o debate teve mais ataques e provocações do que discussões aprofundadas sobre propostas de governo.“Mais do que um confronto de ideias, foi uma troca de acusações mútuas, golpes baixos e provocações, na qual ambos apostaram na mesma estratégia: aumentar a rejeição ao adversário. Houve pouquíssimas propostas e pouco debate sobre políticas públicas”, avaliou o jornal.O La Nación acrescentou que o encontro produziu diversos trechos que poderiam ser utilizados nas redes sociais das campanhas, mas não identificou um erro decisivo que alterasse claramente o rumo da disputa eleitoral.El País vê Lula tecnocrata e Flávio provocadorNa Espanha, o jornal El País resumiu o confronto com a manchete “um Lula tecnocrata diante de um Bolsonaro provocador”. A publicação descreveu o encontro como um embate de alta tensão, no qual Flávio teria tentado irritar o presidente, enquanto Lula não conseguiu aproveitar a oportunidade para se distanciar do adversário na disputa.“Os candidatos protagonizam um confronto de alta tensão, no qual o senador buscou irritar um presidente que desperdiçou a oportunidade de romper o empate”, afirmou o jornal espanhol.Em outra reportagem, o El País destacou que o confronto direto esquentou rapidamente e foi marcado por ataques. Segundo a publicação, Flávio tentou pressionar Lula com acusações de corrupção relacionadas ao filho do presidente e ao Partido dos Trabalhadores.Lula, por sua vez, respondeu com acusações contra o senador, chamou-o de mentiroso e fez referências a supostas ligações com o crime organizado e a conspirações nos Estados Unidos. As declarações integraram uma sequência de confrontos verbais que dominou boa parte do debate.Al Jazeera destaca ataques pessoaisA rede de notícias do Catar Al Jazeera também repercutiu o encontro e afirmou que os dois candidatos trocaram uma série de ataques pessoais durante o primeiro debate da campanha.A publicação destacou os termos utilizados por Lula para atacar o adversário, incluindo as expressões “mentiroso contumaz”, “bandido” e “miliciano”. A reportagem também observou que o presidente manteve distância física de Flávio durante o confronto.Do outro lado, o senador ironizou o presidente e afirmou que preferia manter distância dele para evitar que sua carteira fosse roubada. A declaração foi mencionada pela rede como exemplo do tom provocativo adotado durante o encontro.A Al Jazeera também contextualizou o resultado do primeiro turno, no qual Flávio Bolsonaro teria obtido 47% dos votos, contra 45% de Lula, conforme os números citados pela publicação.A repercussão internacional mostra que o debate chamou a atenção não apenas pelo confronto político entre os candidatos, mas também pela predominância de acusações e provocações em detrimento da discussão de propostas. Com a eleição apertada, o desempenho dos dois presidenciáveis no encontro passou a integrar a cobertura sobre os rumos da disputa brasileira.

Fonte original: https://dol.com.br/noticias/politica/eleicoes-2026/965917/lula-x-flavio-bolsonaro-imprensa-internacional-repercute-debate-da-band