A infecção urinária recorrente pode afetar a rotina e a qualidade de vida de mulheres que enfrentam episódios repetidos de ardência ao urinar, urgência, aumento da frequência urinária e desconforto pélvico. Em geral, o quadro é considerado recorrente quando ocorre pelo menos duas vezes em seis meses ou três vezes em um ano. Segundo a ginecologista Dra. Ana Paula Fonseca, diferentes fatores podem contribuir para as crises, e a repetição dos sintomas merece avaliação para identificar a causa e definir estratégias de prevenção.Por que algumas mulheres têm mais infecções urinárias?A anatomia feminina é um dos fatores que aumentam a predisposição. A uretra da mulher é mais curta e fica próxima às regiões genital e anal, o que facilita a chegada de bactérias à bexiga.Isso, porém, não explica sozinho os casos recorrentes. Hábitos, atividade sexual, alterações hormonais e determinadas condições do trato urinário também podem influenciar a frequência das infecções.“A anatomia feminina já favorece a ocorrência de infecções urinárias, porque a uretra é mais curta e fica próxima à região genital e anal, facilitando a chegada de bactérias à bexiga. Quando existem episódios recorrentes, porém, precisamos olhar para outros fatores que podem estar contribuindo para essa repetição”, explica Ana Paula.
Relação sexual aumenta o risco?A atividade sexual pode favorecer a entrada de bactérias na uretra e aumentar o risco de cistite em mulheres predispostas. Isso não significa, entretanto, que a infecção urinária seja uma infecção sexualmente transmissível.“O atrito e a movimentação da região podem facilitar a migração de bactérias para a uretra. Algumas mulheres percebem, inclusive, que as crises aparecem com maior frequência após as relações”, afirma a ginecologista.Alguns métodos contraceptivos, como os que utilizam espermicidas, também podem estar associados a um risco maior em mulheres suscetíveis.Segurar a urina pode contribuir?A rotina também pode ter influência. Passar muitas horas sem urinar e manter uma ingestão insuficiente de líquidos podem favorecer condições que facilitam a proliferação de bactérias.Quer ler mais notícias de saúde? Acesse o canal do DOL no WhatsApp!Isso não significa que toda mulher que segura a urina desenvolverá uma infecção. O quadro costuma resultar da combinação de diferentes fatores.“Não existe uma única causa para todas as mulheres. Por isso, além de orientar uma hidratação adequada e evitar o hábito de segurar a urina por longos períodos, é importante entender o que está acontecendo especificamente com aquela paciente”, ressalta Ana Paula.Alterações hormonais também podem influenciarOs hormônios também têm relação com a saúde do trato urinário. Após a menopausa, por exemplo, a redução do estrogênio pode provocar mudanças nos tecidos da região genital e urinária e aumentar a suscetibilidade de algumas mulheres às infecções.“Os hormônios interferem na saúde da mucosa vaginal e também no equilíbrio da microbiota. Com a redução do estrogênio, principalmente após a menopausa, algumas mulheres ficam mais suscetíveis às infecções urinárias”, explica a médica.Toda infecção que volta é o mesmo problema?Não necessariamente. Um novo episódio pode representar uma nova infecção ou, em determinadas situações, estar relacionado à persistência ou recorrência do mesmo microrganismo.Por isso, sintomas como ardência ao urinar não devem ser automaticamente tratados como uma nova infecção. Outras condições, incluindo irritações da região genital e algumas infecções vaginais, podem provocar sintomas semelhantes.“É muito importante diferenciar uma infecção urinária verdadeira de outras condições que podem causar sintomas semelhantes. Quando os episódios são recorrentes, a investigação ajuda a direcionar o tratamento”, alerta a ginecologista.Quando é necessário investigar?A repetição dos episódios é um motivo para procurar avaliação médica. Dependendo do caso, o profissional pode solicitar exames de urina e urocultura para confirmar a presença de bactérias e auxiliar na definição do tratamento.
A investigação também pode considerar fatores como alterações anatômicas do trato urinário, cálculos, dificuldade para esvaziar completamente a bexiga e outras condições clínicas.“A recorrência merece atenção principalmente quando começa a interferir na qualidade de vida da mulher. Não devemos simplesmente tratar uma crise atrás da outra sem tentar entender por que ela está acontecendo”, afirma Ana Paula.Há como prevenir novas crises?Algumas medidas podem ajudar a diminuir o risco, especialmente entre mulheres que apresentam predisposição. Entre elas estão manter uma hidratação adequada, evitar permanecer longos períodos sem urinar, urinar após as relações sexuais e evitar produtos que provoquem irritação na região íntima.A prevenção, no entanto, não deve seguir uma fórmula única. As estratégias podem variar de acordo com o histórico e os fatores de risco de cada paciente.“É importante evitar aquelas listas muito rígidas de regras. A prevenção deve ser individualizada. Para algumas mulheres, pequenas mudanças de hábitos já fazem diferença; para outras, principalmente quando existe uma recorrência importante, pode ser necessário um acompanhamento médico mais próximo”, orienta a especialista.Outro cuidado importante é evitar o uso de antibióticos por conta própria. Além do risco de o medicamento não ser adequado para a bactéria envolvida, o uso indiscriminado pode contribuir para a resistência bacteriana.Febre e dor nas costas são sinais de alertaAlguns sintomas exigem atenção médica mais rápida. Febre, calafrios, dor intensa nas costas ou na lateral do corpo, náuseas e vômitos podem indicar que a infecção atingiu os rins e precisam de avaliação profissional.
Para mulheres que vivem em um ciclo de episódios repetidos, portanto, o caminho não é simplesmente recorrer a novos medicamentos a cada crise. A identificação dos fatores que favorecem a recorrência pode ajudar a estabelecer uma estratégia de prevenção individualizada.“Infecção urinária recorrente não deve ser encarada como algo com que a mulher simplesmente precisa conviver. Quando as crises se repetem, é importante investigar os possíveis fatores envolvidos, confirmar o diagnóstico e pensar em estratégias de prevenção individualizadas. O objetivo não é apenas tratar cada episódio, mas entender por que ele está acontecendo e evitar que esse ciclo se repita”, finaliza Dra. Ana Paula Fonseca.
Fonte original: https://dol.com.br/noticias/te-cuida/963450/infeccao-urinaria-recorrente-por-que-as-crises-se-repetem-em-algumas-mulheres




