O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou à Polícia Federal que chegou a "esgotar seu repertório de palavrões" ao cobrar servidores pela demora na produção de análises sobre o Banco Master, de Daniel Vorcaro. O depoimento ocorreu na terça-feira (06/10), quando Galípolo foi ouvido como testemunha. A informações foi divulgada pelo Folha de São Paulo.Segundo o presidente do BC, a demora envolvia análises do balanço e do fluxo financeiro do banco, além de comunicações que deveriam ser encaminhadas à Polícia Federal e ao Ministério Público. No depoimento, ele relatou que fez cobranças em reuniões com integrantes da diretoria e classificou a produção do comunicado sobre as suspeitas de fraude como um "processo de parto a fórceps".Conteúdos relacionados: Deputada eleita, Ana Elisa denuncia ameaças de morte e estuproMãe recorre à Justiça por vídeo do filho viralizar com arma em cima de carroFalsas bets prometem até R$ 3 mil após pix e bloqueiam saquesAlém disso, o depoimento também trouxe divergências com Belline Santana, ex-chefe de Supervisão Bancária, e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização e então chefe adjunto da área. Segundo a investigação, ambos teriam atuado em favor dos interesses de Vorcaro dentro do BC, o que é negado pelas defesas.Galípolo afirmou ainda que teve discussões com Paulo Sérgio sobre os lançamentos do balanço do Master e sobre a negociação para a aquisição do banco pelo BRB (Banco de Brasília). Segundo o presidente do BC, A postura do ex-servidor favorável à operação "soou como comportamento exótico". Para ele, a análise deveria seguir um rito "bastante estrito e rigoroso".Antes da liquidação do Master, em novembro de 2025, o BC criou uma equipe paralela para verificar inconsistências nas carteiras da instituição. Galípolo disse que a medida buscava obter "outros olhos" na fiscalização. Ele também relatou preocupação com possíveis vazamentos de informações internas para integrantes do banco.Antes da liquidação do Master, em novembro de 2025, Galípolo afirmou que passou a restringir conversas para evitar vazamentos. Segundo ele, a cúpula do BC percebeu que informações confidenciais discutidas internamente "pareciam chegar até os acionistas e à alta direção do banco" de Vorcaro.Nesse período, foi criada uma equipe paralela para analisar inconsistências em carteiras geradas ou adquiridas pelo Master, com o objetivo de obter "outros olhos" na supervisão. Inicialmente, o presidente do BC afirmou que havia dúvidas sobre a possibilidade de a equipe que acompanhava o banco há mais tempo não ter identificado os problemas, mas que a apuração acabou resultando em uma comunicação à Polícia Federal sobre suspeitas de benefícios e vantagens indevidas.Quer receber notícias direto no celular? Acesse nosso canal no WhatsApp!Na véspera da liquidação, uma reunião solicitada pelo Master, na qual foi informado o interesse da Fictor, também provocou preocupação. Galípolo disse ter procurado a Polícia Federal para alertar sobre o receio de que Vorcaro pudesse estar tentando fugir ou tomar alguma medida semelhante, diante da urgência do encontro solicitado.Uma investigação interna do Banco Central apontou ainda que Belline teria simulado contratos de serviços ligados a um projeto social para esconder o recebimento de propina do Master ou de pessoas relacionadas ao grupo. No caso de Paulo Sérgio, a sindicância identificou indícios de uma suposta simulação na venda de um sítio em Minas Gerais para uma empresa controlada por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, também com o objetivo de ocultar o recebimento de propina.As condutas dos dois ex-gestores são analisadas desde março pela Controladoria-Geral da União (CGU), em um Processo Administrativo Disciplinar que pode resultar na expulsão dos servidores caso sejam considerados culpados.Além de Galípolo, a PF convocou o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e o dono do BTG Pactual, André Esteves. Os depoimentos, previstos para esta semana, foram adiados. 

Fonte original: https://dol.com.br/noticias/brasil/965001/galipolo-fala-sobre-a-pressao-por-demora-na-fiscalizacao-do-master