A proteção de crianças e adolescentes na internet, os impactos da inteligência artificial e as questões ambientais estão entre os assuntos que podem inspirar debates sobre possíveis temas da redação do Enem 2026. Com mudanças legislativas recentes e discussões cada vez mais presentes na sociedade, esses eixos exigem dos candidatos não apenas atualização, mas também capacidade de relacionar conhecimentos e construir argumentos consistentes.Para o professor de redação Fernando Penha, a proteção de crianças e adolescentes na web, relacionada ao chamado ECA Digital, merece atenção especial na preparação para o exame. O educador também considera que a inteligência artificial pode aparecer associada a questões mais específicas, como as transformações no mercado de trabalho e seus efeitos nas artes e na publicidade. "Dentre essas pautas, acho mais quente a questão do ECA Digital, proteção das crianças e adolescentes na internet", avalia o professor.CONTEÚDO RELACIONADOEnem 2026: veja os eixos temáticos mais cotados para a redação deste anoRedação do Enem 2026: saiba o que fazer para fugir do "repertório de bolso"Veja 8 possíveis temas para a redação do Enem 2026!A análise não significa que esses assuntos estejam confirmados como tema da prova. A preparação, segundo a orientação do educador, deve considerar diferentes possibilidades e desenvolver a capacidade de adaptar conhecimentos e repertórios socioculturais a problemas sociais distintos.Quer mais notícias do Enem 2026? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.ECA Digital e inteligência artificial no radar dos candidatos



A proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual reúne discussões sobre segurança, privacidade, exposição a conteúdos inadequados e responsabilidade das plataformas digitais. Por isso, o assunto pode ser relacionado aos direitos humanos, à educação, à tecnologia e à atuação do poder público na garantia de direitos.Na avaliação de Fernando Penha, a inteligência artificial também merece atenção, especialmente quando associada a situações concretas da sociedade. Em vez de estudar a tecnologia apenas de maneira genérica, o candidato pode investigar seus efeitos sobre as profissões, a produção artística e a publicidade.Esse recorte permite discutir tanto as oportunidades criadas pelas novas ferramentas quanto os desafios relacionados à substituição de funções, à valorização do trabalho humano e às mudanças nas relações profissionais.As deepfakes, conteúdos manipulados por inteligência artificial para simular imagens, vídeos ou vozes, também podem ser estudadas dentro desse campo. O assunto permite estabelecer relações com a desinformação, a reputação, a privacidade e os limites éticos do uso da tecnologia.Racismo ambiental também merece atençãoEmbora considere menos provável uma abordagem diretamente relacionada ao racismo ambiental, Fernando Penha recomenda que os estudantes não descartem o eixo ambiental na preparação para o exame."Acho menos provável o racismo ambiental, mas como não aparece desde 2008, sempre dizem que Meio Ambiente é quente", afirma.O racismo ambiental envolve a distribuição desigual dos impactos ambientais, que frequentemente atingem de forma mais intensa populações vulneráveis. A falta de saneamento básico, a exposição a áreas de risco, as enchentes e a dificuldade de acesso à infraestrutura urbana podem servir como pontos de partida para compreender o tema.O professor ressalta, porém, que a preparação não deve se limitar à tentativa de adivinhar o assunto escolhido pela banca. Mais importante é construir uma base de conhecimentos que possa ser aproveitada em diferentes propostas de redação.Seis eixos temáticos ajudam a organizar os estudosPara ampliar as possibilidades de argumentação, Fernando Penha recomenda que os candidatos organizem os estudos a partir de seis grandes eixos temáticos:Sociedade, cultura e direitos humanos: desigualdade, cidadania, preconceito e acesso a direitos.Educação e linguagem: formação educacional, leitura, inclusão e comunicação.Ciência, tecnologia e informação: inteligência artificial, redes sociais, desinformação e privacidade.Meio ambiente e sustentabilidade: mudanças climáticas, saneamento, preservação e racismo ambiental.Saúde e bem-estar público: saúde coletiva, prevenção, acesso a serviços e qualidade de vida.Trabalho e economia: automação, transformações profissionais, renda e desigualdade econômica.A estratégia consiste em reunir referências relacionadas a cada eixo e, depois, aprender a adaptá-las às características específicas do tema apresentado na prova. "Eu aconselho um estudo para ter repertórios relacionados a cada eixo. A partir disso pode-se fazer adaptações ao tema", orienta o professor.Filmes, livros e músicas podem fortalecer a argumentação



A construção de um repertório sociocultural não depende exclusivamente de notícias, leis ou citações de filósofos. Filmes, séries, músicas, animes e livros também podem contribuir para a argumentação, desde que sejam utilizados de maneira pertinente e estejam relacionados ao problema discutido.O contato com produções culturais pode facilitar a compreensão de conflitos sociais e oferecer exemplos para sustentar um ponto de vista. O essencial, entretanto, é que o candidato saiba explicar a relação entre a referência escolhida e a discussão proposta."Conhecer as pautas recentes são importantes, mas os participantes podem usar o conhecimento cultural também, como filmes, séries, músicas, animes, livros. Acredito que isso facilita a vida de quem fará a redação", afirma Penha.O professor também faz um alerta sobre o chamado "repertório de bolso", expressão utilizada pelo Inep para se referir, no contexto da avaliação, a referências genéricas e memorizadas que podem ser empregadas sem uma conexão efetiva com o tema."Lembrando sempre do cuidado com o repertório de bolso, como o Inep chama. Cuidado com as fórmulas prontas da internet", adverte.A recomendação é compreender a função de cada parte do texto e de cada parágrafo, em vez de decorar modelos que prometem servir para qualquer proposta. Uma referência cultural só fortalece a redação quando ajuda a explicar o problema, sustentar a tese ou aprofundar o raciocínio.Proposta de intervenção exige planejamentoAlém de desenvolver uma argumentação consistente, o candidato precisa apresentar uma proposta de intervenção para o problema discutido, respeitando os direitos humanos. Essa etapa corresponde à competência 5 da matriz de avaliação da redação do Enem.Segundo Fernando Penha, a proposta deve estar diretamente relacionada às questões desenvolvidas ao longo do texto, e não aparecer como uma solução genérica acrescentada apenas no parágrafo final."A proposta precisa ser pensada no que foi trabalhado no desenvolvimento, de acordo com as escolhas argumentativas", explica.O professor destaca os cinco elementos que devem ser considerados na elaboração da intervenção:Ação: o que será feito para enfrentar o problema.Agente: quem será responsável pela iniciativa.Meio ou modo: como a ação será realizada.Efeito: qual resultado se pretende alcançar.Detalhamento: uma informação adicional que esclareça a ação, o agente ou outro componente da proposta.Uma redação que discuta a proteção de crianças na internet, por exemplo, pode propor uma iniciativa educativa nas escolas, desde que explique quem ficará responsável, como a medida será executada e quais resultados pretende alcançar. A solução também precisa dialogar com os argumentos apresentados anteriormente.Penha chama atenção para o desempenho nessa etapa da prova: segundo ele, a competência 5 registrou a menor média no Enem 2025.Como se preparar para a redação do Enem 2026A preparação para o exame exige acompanhar debates contemporâneos, mas também desenvolver habilidades de leitura, interpretação, planejamento e escrita. Para o professor, conhecer os possíveis eixos temáticos é uma maneira de organizar os estudos, sem transformar a preparação em uma tentativa de prever com exatidão o tema da prova.O candidato pode selecionar referências culturais e informações confiáveis, treinar a construção de teses e praticar a relação entre repertório, argumentação e proposta de intervenção. Também é importante revisar os textos para verificar se cada parágrafo cumpre uma função e se a conclusão responde ao problema apresentado.A orientação central de Fernando Penha é evitar soluções prontas e compreender a estrutura da redação. Em vez de depender de citações decoradas ou fórmulas universais, o estudante deve aprender a mobilizar o conhecimento que possui de acordo com as exigências de cada proposta.Assim, temas como ECA Digital, inteligência artificial, deepfakes e racismo ambiental podem funcionar como pontos de partida para os estudos, enquanto a capacidade de argumentar, relacionar referências e propor soluções permanece fundamental independentemente do assunto escolhido para a prova.

Fonte original: https://dol.com.br/noticias/brasil/966047/enem-2026-eca-digital-e-ia-estao-entre-possiveis-temas-da-redacao