O Palácio do Planalto elaborou um conjunto de medidas para conter os danos de possíveis novos ataques do presidente americano Donald Trump à credibilidade do sistema eleitoral brasileiro. A iniciativa ocorreu após Trump fazer, ao longo de uma semana, repetidas declarações públicas sem qualquer embasamento, nas quais insinuou irregularidades no pleito que levou Luiz Inácio Lula da Silva ao poder.Leia também:Americanos decidem nas urnas o futuro político de TrumpPor que alguns países pedem que famílias estoquem comida e água? EntendaO presidente dos Estados Unidos fez ao menos três afirmações distintas sobre o Brasil em curto espaço de tempo. Em uma delas, classificou a eleição brasileira como "uma vergonha". Em outra, disse que o processo pareceu fraudulento, sem citar um único dado de suporte. Contraditoriamente, afirmou que nutre simpatia por Lula. Numa terceira ocasião, equiparou os democratas americanos ao Brasil em matéria de suposta manipulação de votos. Nenhuma das três falas foi acompanhada de evidência concreta.Estratégia do Planalto para não entrar em confrontoO Governo Federal adotou duas diretrizes centrais diante do cenário:Evitar um confronto direto com Trump, de modo a preservar as relações diplomáticas entre os dois países;Impedir que narrativas falsas sobre fraudes no Brasil ganhem força na mídia internacional.Para isso, o Palácio do Planalto reuniu um dossiê com dados e análises sobre a lisura do processo eleitoral brasileiro. O material foi preparado para distribuição tanto à imprensa quanto a autoridades americanas, caso o tom das críticas se intensifique.Midterms americanas e o temor brasileiroParte da preocupação do governo Lula deriva do calendário político dos Estados Unidos. Os eleitores americanos foram às urnas nesta terça-feira (3) para as eleições de meio de mandato, nas quais os democratas têm perspectiva de recuperar o controle da Câmara dos Representantes e possibilidade de conquistar a maioria no Senado. Integrantes do governo brasileiro avaliam que uma derrota de Trump nesse pleito pode levá-lo a buscar bodes expiatórios externos, e o Brasil figura como alvo em potencial.Flávio Bolsonaro e a presença americana na criseO cenário se complica com a revelação de que os Estados Unidos autorizaram Flávio Bolsonaro e familiares a permanecerem em território americano após a derrota do senador no processo eleitoral brasileiro. A imprensa americana noticiou que pessoas com vínculos à administração Trump prestaram assistência para a saída do parlamentar do país. A informação adiciona um elemento delicado à relação bilateral, já marcada por tensões em torno das declarações do presidente americano.O que está em jogo nas relações bilaterais?Os pontos centrais da disputa diplomática podem ser resumidos assim:Trump fez afirmações públicas sobre fraude eleitoral no Brasil sem apresentar provas;O governo Lula não deseja ruptura com Washington, mas tampouco aceita o silêncio diante de falsidades;A presença de aliados de Bolsonaro nos EUA adiciona pressão à relação entre os dois países;O resultado das eleições americanas pode determinar a intensidade dos próximos ataques.Quer receber mais notícias do Brasil e do mundo? Acesse o canal do DOL no WhatsApp!A situação coloca o Palácio do Planalto diante de um equilíbrio delicado: rebater as inverdades com firmeza sem provocar uma crise diplomática de maiores proporções.
Fonte original: http://dol.com.br/noticias/mundo-noticias/967291/eleicoes-dos-eua-podem-aumentar-ataques-de-trump-a-lula
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