O Dia da Sustentabilidade, celebrado nesta sexta-feira (25), pode ser uma oportunidade para apresentar às crianças conceitos sobre preservação ambiental de maneira leve e educativa, sem transformar a crise climática em motivo de medo. Diante do aumento de eventos extremos e das preocupações com o futuro do planeta, especialistas recomendam que pais, responsáveis e educadores priorizem atividades práticas, conversas adequadas à idade e exemplos que mostrem não apenas os problemas, mas também as possibilidades de mudança.A preocupação ganhou espaço com a chamada ansiedade climática, também conhecida como ecoansiedade. O termo é utilizado para descrever sentimentos como medo, estresse, preocupação e insegurança relacionados às mudanças climáticas e às perspectivas para o futuro.O assunto pode ser especialmente delicado entre crianças e adolescentes, que acompanham notícias sobre enchentes, desastres ambientais e outros eventos extremos. Por isso, a orientação é evitar uma abordagem baseada exclusivamente em cenários negativos e mostrar que atitudes individuais e coletivas também fazem parte das soluções.Quer ler mais notícias de entretenimento? Acesse o canal do DOL no WhatsApp!Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), aproximadamente 11 milhões de toneladas de plástico chegam aos ecossistemas aquáticos todos os anos. A entidade também alerta para a possibilidade de aumento significativo desse impacto nas próximas décadas caso medidas mais efetivas não sejam adotadas.Nesse contexto, o ambiente escolar pode ajudar a transformar a educação ambiental em uma experiência participativa. Confira quatro maneiras de trabalhar o tema sem provocar ansiedade.1. Use jogos e atividades para explicar a sustentabilidadeFalar sobre mudanças climáticas e preservação ambiental não precisa ser uma experiência pesada. Materiais didáticos, filmes, palestras, jogos e atividades em grupo podem tornar a discussão mais acessível para crianças e adolescentes.Quizzes, gincanas, brincadeiras educativas e desafios relacionados à sustentabilidade ajudam a despertar o interesse dos estudantes e estimulam o pensamento crítico. A proposta é apresentar os problemas ambientais de acordo com a faixa etária e, ao mesmo tempo, mostrar que existem atitudes capazes de contribuir para mudanças positivas.



2. Incentive leituras sobre preservação ambientalLivros também podem servir como uma porta de entrada para conversar sobre sustentabilidade. Histórias que abordam desmatamento, preservação de espécies, consumo de recursos naturais e outros temas ambientais permitem que crianças e adolescentes conheçam diferentes perspectivas sem necessariamente serem expostos a uma abordagem alarmista.A leitura pode ser acompanhada de rodas de conversa, debates e atividades em grupo. Dessa forma, os estudantes têm espaço para expressar dúvidas, sentimentos e opiniões sobre o conteúdo apresentado.“Livros que apresentam temáticas sobre o meio ambiente não são apenas histórias, mas convites para que crianças e jovens compreendam seu papel na preservação do planeta e desenvolvam um posicionamento crítico e consciente desde cedo”, afirma Laura Vechiolli do Prado, coordenadora de Literatura e Informativos do Editorial de Educação Básica da Cogna Educação.



3. Transforme boas práticas em brincadeirasReciclagem, economia de água, reutilização de materiais e consumo consciente podem ser ensinados por meio de atividades criativas. Oficinas, peças de teatro, produções artísticas e jogos permitem que os conceitos sejam incorporados à rotina de maneira mais natural.Além de facilitar o aprendizado, essas experiências podem estimular a criatividade e mostrar às crianças que pequenas atitudes fazem parte de uma responsabilidade coletiva.“Ao se conectar com esse conteúdo de forma poética e reflexiva, a criança passa a compreender seu papel no mundo e pode se tornar uma agente multiplicadora de práticas mais conscientes”, afirma João Noronha, diretor de produção da RN Produções Artísticas.



4. Leve a sustentabilidade para o cotidianoA educação ambiental pode ir além das aulas e dos projetos específicos. Situações comuns da rotina oferecem oportunidades para que crianças e adolescentes percebam os impactos de suas escolhas e pensem em alternativas.Na escola, por exemplo, é possível criar projetos para acompanhar o desperdício de materiais, propor desafios de redução de resíduos ou discutir formas de economizar água e energia. Em casa, tarefas simples também podem estimular a participação dos pequenos na separação de resíduos, no reaproveitamento de objetos e no consumo consciente.A ideia é fazer com que a criança perceba que sustentabilidade não é apenas um problema distante ou uma responsabilidade exclusiva de governos e grandes empresas. Ao participar de ações compatíveis com sua idade, ela pode desenvolver senso de responsabilidade sem carregar sozinha o peso dos problemas ambientais.



Como falar sobre crise climática sem assustarAo conversar com crianças sobre mudanças climáticas, o principal cuidado é adaptar a linguagem à idade e evitar apresentar apenas cenários de catástrofe. Informar é importante, mas também é necessário abrir espaço para perguntas, sentimentos e soluções.Mostrar exemplos positivos, valorizar iniciativas de preservação e incentivar ações possíveis ajuda a construir uma relação mais saudável com o tema. Dessa forma, o Dia da Sustentabilidade pode ser usado não apenas para falar sobre os desafios ambientais, mas também para estimular conhecimento, participação e esperança em relação ao futuro.

Fonte original: https://dol.com.br/entretenimento/963755/dia-da-sustentabilidade-4-formas-de-abordar-o-tema-com-as-criancas