A injeção letal aplicada contra Christa Pike, de 50 anos, não provocou sua morte: uma semana depois de sobreviver à tentativa de execução no Tennessee, nos Estados Unidos, a detenta apresentou sinais de recuperação justamente quando a equipe médica se preparava para retirar o suporte à vida. Segundo seu advogado, ela chegou a ser considerada em estado de morte cerebral, mas acordou na terça-feira (06/10) e começou a falar.O advogado Randy Spivey relatou que, na noite de segunda-feira (05/10), a equipe acreditava que Christa não apresentava mais atividade cerebral e que os aparelhos seriam desligados no dia seguinte. A situação mudou de forma inesperada quando ela despertou e passou a conversar. Atualmente, segundo a defesa, Christa consegue falar e dizer quem é. Ela permanece internada e algemada à cama.CONTEÚDO RELACIONADOExecução fracassada de mulher reacende debate sobre pena de morte nos EUAMulher sobrevive a duas doses de injeção letal nos EUAEUA: execução de condenado é suspensa após falha em injeçãoEXECUÇÃO COM PENTOBARBITAL FALHOUChrista recebeu duas doses de pentobarbital, medicamento utilizado em protocolos de execução por injeção letal. O procedimento ocorreu em uma penitenciária do Tennessee, mas não teve o resultado esperado pelas autoridades.O anestesiologista Joel Zivot, contratado pelos advogados como perito, afirmou à BBC que a detenta já não precisava estar conectada ao respirador. Segundo ele, Christa também aparentemente não guardaria lembranças da tentativa de execução.Quer mais notícias internacionais? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.A defesa afirma que os braços da mulher ficaram roxos durante o procedimento e que ela relatou sensação de queimação.Para Zivot, uma possível explicação é que parte do medicamento tenha sido aplicada nos tecidos, em vez de alcançar corretamente a corrente sanguínea. Outra hipótese levantada pelo especialista é que a substância utilizada estivesse degradada.MÉDICOS PEDIRAM RETIRADA DAS ALGEMASMesmo diante da recuperação, Christa continua algemada à cama. De acordo com seus advogados, a equipe médica solicitou que as algemas fossem retiradas, mas o pedido foi negado.A defesa também solicitou ao governador do Tennessee, Bill Lee, que transforme a sentença de morte em prisão perpétua.O caso provocou uma reação das autoridades. O tribunal determinou que todos os elementos relacionados à tentativa de execução sejam preservados, incluindo materiais médicos e gravações do procedimento.TENNESSEE SUSPENDE EXECUÇÕESA tentativa frustrada de executar Christa reacendeu a discussão sobre a segurança dos protocolos utilizados na pena de morte nos Estados Unidos.Bill Lee suspendeu temporariamente as execuções no Tennessee enquanto uma investigação independente é realizada. O chefe do sistema penitenciário estadual também renunciou ao cargo.O Departamento de Correções, por sua vez, declarou que os funcionários envolvidos seguiram o protocolo estabelecido para a execução.TEXAS REALIZA NOVA EXECUÇÃOEnquanto o caso de Christa ainda era investigado, o Texas realizou uma nova execução por injeção letal. Foi a primeira no estado desde a tentativa malsucedida no Tennessee.Jamaal Howard, de 46 anos, foi executado depois de ser condenado à morte pelo assassinato de uma pessoa durante um assalto ocorrido no ano 2000.Antes de morrer, Howard deixou uma mensagem de arrependimento. "Sinto muito pelo que aconteceu. Gostaria que um dia pudessem aprender a me perdoar", afirmou.CASO É CONSIDERADO INÉDITOO Death Penalty Information Center informou que Christa Pike foi a primeira detenta conhecida a sobreviver depois de receber injeções com doses letais de medicamentos utilizados em execuções.Ela foi condenada à morte em 1996 pelo sequestro e assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos. Segundo o processo, Christa teria torturado a jovem até a morte com a participação do então namorado. O crime ocorreu em um centro de formação profissional.Christa tinha 18 anos quando participou do crime. Depois de uma longa sequência de recursos judiciais, a tentativa de execução ocorreu cerca de três décadas após a condenação.PENA DE MORTE AINDA DIVIDE OS ESTADOS UNIDOSA situação de Christa também recolocou em evidência a dimensão nacional do debate sobre a pena de morte. Atualmente, 23 dos 50 estados americanos aboliram a punição. Outros três mantêm moratórias sobre as execuções.O episódio ocorre ainda em meio a decisões envolvendo execuções no âmbito federal e militar. Nesta semana, o Pentágono informou que o presidente Donald Trump aprovou a execução de Nidal Hasan, psiquiatra do Exército condenado por matar 13 pessoas e ferir mais de 20 durante o ataque em Fort Hood, no Texas, em 2009.Hasan deverá ser executado por fuzilamento em 3 de dezembro. Se o procedimento ocorrer como previsto, será a primeira execução realizada pelas Forças Armadas dos Estados Unidos desde 1961.
Fonte original: https://dol.com.br/noticias/mundo-noticias/964947/apos-sobreviver-a-injecao-letal-mulher-quase-teve-aparelhos-desligados




