O Brasil se tornou o segundo país do mundo a aprovar o Emrelis (telisotuzumabe vedotina), medicamento indicado para pacientes com câncer de pulmão em estágio avançado que já passaram por outros tratamentos sem obter resultados satisfatórios. O registro foi concedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na terça-feira (20), após a aprovação acelerada da terapia nos Estados Unidos.Desenvolvido pela farmacêutica AbbVie, o medicamento é destinado a um grupo específico de pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células do tipo não escamoso, categoria que inclui o adenocarcinoma, uma das formas mais comuns da doença. Para receber o tratamento, é necessário apresentar alta expressão da proteína c-Met nas células tumorais, característica identificada por meio de exames específicos.CONTEÚDOS RELACIONADOS:Anvisa aprova medicamentos pediátricos para lúpus e esclerose múltiplaAnvisa aprova vacina de dose única contra pneumonia em adultosA identificação de biomarcadores tem ampliado as possibilidades da oncologia de precisão, que busca desenvolver tratamentos direcionados às características moleculares de cada tumor.“Esta aprovação representa um avanço importante para pacientes com câncer de pulmão avançado ou metastático, pois oferece uma nova opção de tratamento para pessoas com um perfil específico de biomarcadores que já receberam terapia sistêmica”, afirmou Fernando Mos, diretor médico da AbbVie Brasil.Como funciona o novo medicamento?O Emrelis pertence à classe dos anticorpos conjugados a medicamentos, conhecida pela sigla ADC. A tecnologia combina um anticorpo capaz de reconhecer uma característica específica das células cancerígenas com uma substância quimioterápica.Na prática, o anticorpo identifica e se liga à proteína c-Met presente na superfície das células tumorais, transportando a carga terapêutica para dentro delas. A estratégia busca concentrar a ação do medicamento no tumor e reduzir a exposição dos tecidos saudáveis ao redor.O tratamento é indicado para pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células do tipo não escamoso, localmente avançado ou metastático, cuja doença progrediu após tratamentos anteriores.Quer mais notícias de saúde? Acesse nosso canal no WhatsAppQuem pode receber o tratamento?A terapia é voltada a pacientes que apresentam alta expressão da proteína c-Met no tumor. Essa característica funciona como um biomarcador que ajuda a identificar pessoas potencialmente elegíveis ao medicamento.Entre os pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células do tipo não escamoso e sem mutações conhecidas no gene EGFR, aproximadamente 25% apresentam níveis elevados dessa proteína, segundo os dados apresentados sobre a terapia.A c-Met está relacionada a mecanismos envolvidos no crescimento e na progressão tumoral. Por isso, sua identificação pode ajudar a direcionar o tratamento para pacientes com características moleculares específicas.De acordo com o oncologista William William, líder nacional de oncologia torácica do Grupo Oncoclínicas, o avanço dos testes de biomarcadores permite ampliar as alternativas terapêuticas para grupos específicos de pacientes.Estudo aponta resposta em 34,6% dos pacientesOs resultados do estudo clínico de fase 2 LUMINOSITY avaliaram a eficácia do telisotuzumabe vedotina em pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células e alta expressão de c-Met.No grupo analisado, a taxa de resposta objetiva ao tratamento foi de 34,6%. Isso significa que aproximadamente um em cada três pacientes apresentou redução mensurável do tumor. A sobrevida global mediana registrada foi de 14,6 meses.Os resultados ajudam a demonstrar o potencial da terapia para pacientes que já receberam outros tratamentos. No entanto, a resposta varia conforme as características clínicas e moleculares de cada pessoa, e a indicação deve ser avaliada por uma equipe médica especializada.Quais são os possíveis efeitos colaterais?Apesar de direcionar a ação do medicamento às células tumorais, o Emrelis pode provocar efeitos adversos. Entre os mais comuns estão:Fadiga;Neuropatia periférica, que pode causar formigamento ou dormência nas mãos e nos pés;Perda de apetite;Inchaço nas pernas.A ocorrência e a intensidade dos efeitos variam entre os pacientes. O acompanhamento médico é necessário durante o tratamento para monitorar possíveis complicações e avaliar a necessidade de medidas de suporte.Diagnóstico tardio dificulta o tratamentoO câncer de pulmão está entre as principais causas de morte por câncer no mundo. No Brasil, as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam 35.380 novos casos por ano no período de 2026 a 2028.Uma das principais dificuldades no enfrentamento da doença é o diagnóstico tardio. Cerca de 75% dos pacientes recebem a confirmação quando o câncer já está em estágio avançado ou apresenta metástases, situação que pode limitar as possibilidades de cirurgia com intenção curativa.Nesse cenário, novas terapias direcionadas a características moleculares dos tumores podem ampliar as opções de tratamento, especialmente para pessoas cuja doença não respondeu adequadamente às abordagens anteriores.Quando o Emrelis estará disponível no Brasil?Após a aprovação da Anvisa, a AbbVie iniciou o processo de definição do preço máximo de comercialização do medicamento junto à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).A expectativa da fabricante é que o Emrelis esteja disponível para comercialização no mercado brasileiro a partir do primeiro semestre de 2027.Até o momento, não há previsão de avaliação da tecnologia para incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS). Portanto, a aprovação sanitária não significa que o medicamento já esteja disponível para pacientes na rede pública.

Fonte original: https://dol.com.br/noticias/te-cuida/966181/anvisa-aprova-novo-medicamento-para-tratamento-de-cancer-de-pulmao-avancado