Os americanos vão às urnas nesta terça-feira (03/11) nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, uma disputa decisiva para o futuro político do presidente Donald Trump. A votação ocorre após a Suprema Corte rejeitar uma solicitação do governo republicano para separar cerca de 20 mil votos enviados pelo correio na Califórnia, sob a alegação de possíveis irregularidades relacionadas à cidadania dos eleitores.O Departamento de Justiça dos Estados Unidos pediu que os votos fossem isolados até a verificação da situação dos eleitores suspeitos de não possuir cidadania americana. A Suprema Corte negou o pedido emergencial na véspera da votação, mas não apresentou uma justificativa detalhada para a decisão.CONTEÚDO RELACIONADOEleições nos EUA podem enfraquecer Trump e abrir caminho para impeachmentObama pode ser candidato a presidente dos EUA em 2028? EntendaTrump diz não ter planos de se encontrar com Flávio BolsonaroTribunais inferiores já haviam rejeitado a iniciativa do governo federal. Autoridades da Califórnia também questionaram a confiabilidade da lista utilizada para identificar os possíveis eleitores irregulares e alertaram que a medida poderia impedir cidadãos legalmente habilitados de exercer o direito ao voto.Mais de 58 milhões já votaram antecipadamenteA disputa mobiliza cerca de 210 milhões de eleitores registrados nos Estados Unidos. Até segunda-feira (02/11), mais de 58 milhões já haviam votado antecipadamente, presencialmente ou pelo correio. A expectativa é de que a participação total ultrapasse 100 milhões de pessoas, caso alcance um patamar semelhante ao registrado nas eleições legislativas de 2022.Quer mais notícias internacionais? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.Nesta terça-feira (03/11) serão renovadas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. Também haverá eleições para governador em 36 estados, além de disputas para legisladores estaduais, prefeitos e outras autoridades locais. As primeiras seções eleitorais abrem às 6h no horário local em diferentes estados da Costa Leste, o equivalente às 8h em Brasília.
Republicanos tentam manter maioria no CongressoO Partido Republicano entra na disputa com o objetivo de preservar o controle das duas casas legislativas. Já os democratas tentam recuperar a maioria na Câmara dos Representantes e conquistar espaço suficiente para controlar também o Senado. O resultado poderá determinar a capacidade de Trump de aprovar projetos e conduzir sua agenda política durante os dois últimos anos de governo.Atualmente, o Senado tem 53 republicanos, 45 democratas e dois independentes alinhados ao bloco democrata. Das 35 cadeiras em disputa, 22 são ocupadas por republicanos e 13 por democratas. Para alcançar a maioria, os democratas precisam conquistar um saldo líquido de quatro cadeiras, tornando especialmente importantes os estados em que a disputa apresenta maior equilíbrio eleitoral.Disputas em estados estratégicosMichigan, Texas e Kansas estão entre os locais que concentram a atenção nacional. Em Michigan, o confronto pelo Senado entre o democrata Abdul El-Sayed e o republicano Mike Rogers ganhou repercussão após a deputada democrata Haley Stevens anunciar apoio ao candidato republicano. A movimentação evidenciou as tensões políticas que atravessam as disputas eleitorais.No Texas e no Kansas, estados tradicionalmente republicanos, as corridas também podem influenciar a composição do Senado. Uma mudança na distribuição das cadeiras poderá afetar o equilíbrio entre governo e oposição, especialmente em votações legislativas importantes para a administração Trump.Segurança eleitoral e temor de intimidaçãoA possibilidade de operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) nas proximidades dos locais de votação provocou preocupação entre organizações de defesa dos direitos eleitorais e comunidades imigrantes. O receio é de que a presença de agentes migratórios possa intimidar eleitores e desencorajar a participação, sobretudo entre pessoas que vivem em famílias com diferentes situações migratórias.O governo federal afirmou que não há planos para patrulhar os locais de votação com agentes do ICE. Ainda assim, foram registradas denúncias de intimidação na Califórnia e no Arizona, além de relatos na Geórgia, em Michigan e na Carolina do Norte. Até o momento, não havia confirmação de uma operação generalizada de agentes migratórios durante a votação.O que mais está em jogo nas eleiçõesAlém das disputas pelo Congresso e pelos governos estaduais, os eleitores escolherão representantes locais, incluindo prefeitos, xerifes e legisladores, conforme o calendário de cada região. Em alguns estados, também serão submetidas à votação propostas sobre impostos, educação, segurança pública e alterações constitucionais.A apuração começará após o fechamento das urnas em cada estado, em horários diferentes devido aos fusos horários americanos. Em disputas com margens expressivas, os vencedores poderão ser projetados ainda na noite desta terça-feira. Já as corridas mais apertadas, especialmente para o Senado, poderão levar dias até que os resultados sejam definidos.O desfecho das eleições de meio de mandato indicará se Donald Trump continuará contando com um Congresso de maioria republicana ou se terá de enfrentar uma ou duas casas legislativas controladas pela oposição.

Fonte original: http://dol.com.br/noticias/mundo-noticias/967210/americanos-decidem-nas-urnas-o-futuro-politico-de-trump